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"Estou a sufocar" disse francês enquanto era detido. Acabou por morrer

Quatro polícias franceses estão a ser investigados pelo homicídio involuntário de um estafeta de 42 anos, em janeiro. Novo vídeo mostra que disse estar a sufocar.
Diogo Barreto / SÁBADO 23 de Junho de 2020 às 19:13
Em França, um estafeta de 42 anos morreu depois de ser manietado por um polícia. O vídeo que surgiu agora ao fim de cinco meses mostra que gritou várias vezes "estou a sufocar", enquanto o polícia o imobilizava com o joelho. O caso de janeiro tem sido comparado à morte de George Floyd, em maio deste ano, nos EUA.

Cédric Chouviat morreu em janeiro junto à Torre Eiffel, em Paris. O novo vídeo mostra que avisou sete vezes que não estava a conseguir respirar, durante o período de 22 segundos. Há quatro polícias a serem investigados pela acusação homicídio involuntário de Chouviat. A família, depois de ter sido divulgado o novo vídeo, apelou ao presidente francês que suspendesse os quatro polícias e que fosse instituída uma regra que proibisse "liminarmente" a utilização de estrangulamentos e outras técnicas de restrição mais violentas como a que foi usada contra Chouviat em que o estafeta foi deitado de barriga para baixo e imobilizado violentamente para ser algemado. 

"Apelamos a que tenham calma. A França não é como os Estados Unidos, mais está a tornar-se nos EUA", disse a representante legal da fam+ilia do homem francês morto em janeiro numa conferência de imprensa, fazendo alusão à violência policial contra a qual milhares de americanos protestaram nas últimas semanas.

A polícia afirmou, na altura, que tinha mandado parar Chouviat enquanto este seguia na sua mota por ele ir a olhar para o telemóvel e ter a matrícula suja. Os agentes dizem que o homem não mostrou respeito pelas autoridades e que resistiu à sua detenção. As cassetes com a filmagem captada pela polícia mostravam que depois de mais de nove minutos de conversa entre a polícia e o cidadão, este chamou "idiota" ao agente várias vezes.

Depois desta troca de palavras, o agente aplicou a manobra em torno do pescoço a Chouviat, rasteirando-o o imobiliznado-o no chão. Foi então que o homem começou a dizer que não conseguia respirar. Um relatório citado por vários meios de comunicação franceses revela que "além da detenção, não há registo de troca de palavras ou de interações físicas particularmente agressivas". O relatório elaborado por analistas idenpendentes refere ainda que a "interação é relativamente cívica, apesar de ser possível aperceber-se alguma forma de provocação" por parte de Chouviat.

Chouviat sofreu um ataque cardíaco e foi levado para um hospital em coma, vindo a morrer dois dias depois. A autópsia revelou que morreru de asfixia.
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