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Correio da Manhã

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ETA queria atacar a partir do Algarve

As autoridades espanholas e portuguesas continuam a procurar os dois terroristas da ETA que na manhã de quinta-feira foram vistos, em Ayamonte, junto a um carro alugado de matrícula portuguesa carregado com 130 kg de material explosivo. Uma das possibilidades, que ganha força, é a de que a organização terrorista basca planeasse uma campanha de atentados no Sul de Espanha, perpetrada por uma célula terrorista sediada no Algarve ou no Baixo Alentejo. Aliás, os andaluzes não escondem a sua preocupação e temor perante eventual nova vaga de ataques etarras.
23 de Junho de 2007 às 00:00
Algum do material encontrado na viatura tem inscritas as iniciais do grupo terrorista basco
Algum do material encontrado na viatura tem inscritas as iniciais do grupo terrorista basco FOTO: Ivan Quintero/EPA
Um dos indícios que reforçam a tese de um comando a operar a partir do nosso país é o facto de no veículo abandonado em Ayamonte (uma carrinha Ford Focus) terem sido encontradas malas de roupa. No meio das roupas encontrava-se uma camisola da selecção de Espanha.
Um dos alvos presumíveis da célula ‘portuguesa’ da ETA seria Sevilha, pois um mapa da cidade foi descoberto no carro. Paralelamente às operações de busca dos dois homens que, numa moto, levaram do carro abandonado, em direcção a Portugal, pelo menos dois sacos de material (presumivelmente documentos e armas), a Polícia espanhola está a analisar os ficheiros de um computador que ficou na viatura junto de explosivos, detonadores e temporizadores.
A última versão dos factos indica que o condutor da Ford Focus foi alertado para a existência de uma barreira policial na A49 pelos ocupantes de outro carro da ETA que seguia mais à frente. Este carro, ou um terceiro, recolheu o condutor da Ford Focus. Duas horas depois surgiram dois homens, numa moto, que partiram um vidro do carro para retirar material.

IDENTIDADE FALSA?
As autoridades sabem já que o carro foi alugado no passado dia 19, em Lisboa, em nome de Unai Arrieta. Nos ficheiros das autoridades não consta ninguém com esse nome, pelo que se presume ser uma identidade falsa. No entanto, foi identificado um homem com esse nome em San Sebastián, que se encontra desaparecido desde quinta-feira. Coloca-se, por isso, a possibiliade de se tratar de um membro da ETA sem cadastro.
A empresa Rentilusa, à qual teria sido alugado o carro, explicou que o veículo tinha sido “alugado por dois anos a uma empresa designada Ride On”.
REFÚGIO DE ALTOS COMANDOS
O caso do carro abandonado junto à fronteira portuguesa traz à luz do dia um facto há muito conhecido: Portugal é há muito refúgio de eleição de terroristas da ETA.
Em 1988, por exemplo, as autoridades espanholas frustraram um plano de evasão de Jose Ignacio de Juana Chaos (condenado no ano anterior a três mil anos de cadeia pelo assassínio de 25 pessoas) que tinha Portugal como destino.
Em 1995 foi detido no nosso país o ‘etarra’ Jose Luis Tellechea, cuja extradição para Espanha foi rejeitada pelos tribunais portugueses. A Polícia espanhola verificou ainda que o chamado ‘Comando Argala’, que em 2002 praticou um atentado contra o quartel de Santa Pola, passou o mês de Agosto de 2000 em Portugal.
SAIBA MAIS
5 comandos da ETA existiram até hoje na Andaluzia. O último foi desarticulado em 2000. O seu antecessor, desmembrado em 1998, é considerado o mais bem apetrechado de sempre.
500 é o número de militantes da ETA que se encontram presos em cadeias espanholas, na maioria deles, e francesas.
COMANDO DONISTI Seis políticos do Partido Popular (PP) constavam de uma lista apreendida em Março, aquando da desarticulação do comando ‘Donosti’.
TÁCTICAS Ataques à bomba e com rockets, extorsão e sequestros são alguns dos métodos utilizados pela ETA.
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