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Correio da Manhã

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EUA recusam ceder às exigências da Rússia

Washington entregou resposta escrita às condições do Kremlin para acalmar tensões na Ucrânia e reitera o que disse nas negociações diretas: a NATO mantém política de portas abertas.
Francisco J. Gonçalves 27 de Janeiro de 2022 às 01:30
Tropas russas realizam há várias semanas exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia, onde concentraram mais de 100 mil militares, artilharia 
e tanques
Tropas russas realizam há várias semanas exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia, onde concentraram mais de 100 mil militares, artilharia 
e tanques
Os EUA entregaram esta quarta-feira à Rússia a resposta escrita às propostas do Kremlin para solucionar a crise na Ucrânia, tal como tinha sido exigido por Moscovo. O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, considerou que a bola está agora do lado da Rússia, mas adiantando que, seja qual for a reação de Moscovo, os EUA estão preparados.

Blinken explicou que o documento, no qual tiveram participação importante os aliados europeus, reitera o que os EUA já disseram publicamente, nomeadamente no tocante à política de portas abertas da NATO. Ou seja, Washington mantém a recusa de satisfazer a exigência russa de garantias sobre a não adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica.

A entrega da resposta escrita aconteceu um dia depois de o presidente Joe Biden elevar a fasquia das ameaças de sanções ao anunciar a possibilidade de visar diretamente Vladimir Putin. Moscovo alertou que esse passo será “politicamente destrutivo”, mas manifestou ceticismo quanto à sua exequibilidade. Segundo Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, a lei não permite a nenhum país congelar bens, propriedades e contas bancárias no estrangeiro.

Recorde-se que os EUA e aliados europeus ponderam um conjunto devastador de sanções financeiras contra a Rússia, que podem incluir a exclusão do sistema Swift, que facilita as movimentações de capitais entre bancos. Biden disse ainda que os EUA poderão enviar tropas para a Europa se a Rússia invadir a Ucrânia, tendo preparado para o efeito uma força de 8500 militares.

Entretanto, e apesar de na terça-feira o presidente ucraniano ter dito que não está iminente uma invasão russa, a embaixada dos EUA na Ucrânia aconselhou esta quarta-feira os cidadãos americanos a deixarem o país por causa “da imprevisibilidade da situação em virtude da ameaça de ação militar russa”.

Pormenores
Moscovo menospreza UE
O MNE da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou não estar disposto a prolongar as conversações sobre a Ucrânia com a inclusão da UE e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Choque com oferta alemã
A Alemanha, que recusou permitir que a Letónia enviasse armas de fabrico alemão para a Ucrânia, causou esta quarta-feira surpresa ao oferecer-se para enviar 5 mil capacetes para os militares ucranianos. “E a seguir vão oferecer o quê? Almofadas?”, ironizou o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko.
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