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Correio da Manhã

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EUA voltam a superar Rússia com foguetão da Space X

Cápsula norte-americana ‘Crew Dragon’ tem mais capacidade e é mais barata do que a russa ‘Soyuz’.
Bernardo Esteves 15 de Junho de 2020 às 01:30
Cápsula ‘Crew Dragon’
Cápsula ‘Crew Dragon’
Os astronautas da NASA Doug Hurley (esquerda) e Bob Behkem com o foguetão Falcon 9, da empresa privada SpaceX, ao fundo
Foguetão Falcon 9 da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX
Foguetão Falcon 9 da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX
Cápsula ‘Crew Dragon’
Cápsula ‘Crew Dragon’
Os astronautas da NASA Doug Hurley (esquerda) e Bob Behkem com o foguetão Falcon 9, da empresa privada SpaceX, ao fundo
Foguetão Falcon 9 da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX
Foguetão Falcon 9 da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX
Cápsula ‘Crew Dragon’
Cápsula ‘Crew Dragon’
Os astronautas da NASA Doug Hurley (esquerda) e Bob Behkem com o foguetão Falcon 9, da empresa privada SpaceX, ao fundo
Foguetão Falcon 9 da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX
Foguetão Falcon 9 da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX

Desde 2011, com o fim do programa de vaivém espacial, que os Estados Unidos e a Europa dependiam do foguetão russo ‘Soyuz’ para colocar astronautas na Estação Espacial Internacional (EEI), o laboratório que paira a 400 km da Terra e que diariamente completa quase 16 voltas em órbita a 27 700 km/hora.

A 30 de maio deste ano tudo mudou com o lançamento do ‘Falcon 9’, o foguetão da norte-americana Space X que levou a cápsula ‘Crew Dragon’, com os astronautas Doug Hurley e Bob Behnken, até à EEI. "A América voltou a ultrapassar os russos na capacidade de pôr pessoas no espaço e no preço. A Nasa pagará 55 milhões de euros por cada astronauta e não os 90 milhões que cobravam os russos", disse ao CM o astrofísico Rui Agostinho, frisando que esta é uma "mudança radical, até porque esta cápsula leva quatro astronautas contra três da rival russa". Por outro lado, "já se adivinha que os europeus também serão clientes da Space X".

A EEI foi construída entre 1998 e 2011 numa parceria inicial entre Estados Unidos e Rússia, que foi depois alargada à Agência Espacial Europeia, Canadá e Japão. É uma plataforma para investigação científica com uma estrutura de suporte com 108,4 metros de comprimento, módulos de 74 metros e que pesa 419 toneladas. Foram precisas 50 missões para montar a EEI, 39 das quais com recurso ao vaivém espacial. Tem capacidade para seis astronautas que se dedicam a vários projetos de investigação.

"A EEI tem projetos para observação de glaciares ou de recifes de coral, mas isso muitos outros satélites também fazem. O que torna a EEI um projeto único é o facto de poder realizar experiências de biologia e biotecnologia num ambiente de microgravidade", explica Rui Agostinho, sublinhando que na EEI já foram "criados novos materiais e novos medicamentos".

A investigação tem-se centrado na capacidade de sobrevivência humana no espaço, com vista a preparar missões como a viagem a Marte: "O corpo humano entra em osteoporose acelerada, a pressão arterial no cérebro aumenta muito, há problemas de visão, os músculos e o coração atrofiam, e por isso são obrigatórios certos exercícios."

Nasa pagou 17 milhões de euros por casa de banho
A Nasa pagou quase 17 milhões de euros à Rússia por uma casa de banho na Estação Espacial Internacional. Além de absorver a urina e as fezes, dos astronautas, a casa de banho está preparada para transformar a urina em água. Esta água é depois consumida pelos próprios astronautas.

Elon Musk põe foco na construção de nave para ir a Marte
Depois de se ter tornado a primeira empresa privada a colocar seres humanos em órbita, a Space X aponta para... Marte. O CEO Elon Musk garante que o foco será construir a nave ‘Starship’ para missões à Lua e a Marte. O regresso à Terra da cápsula ‘Crew Dragon’ não tem ainda data.

Projeto acompanha migração animal
Uma antena colocada na Estação Espacial Internacional vai permitir acompanhar as migrações de vários animais na Terra. O projeto do Instituto Max Planck, Alemanha, colocou transmissores em mais de 800 espécies, entre elas elefantes e morcegos. O projeto já foi criticado devido ao stress que é provocado nos animais.

Christina esteve 328 dias no espaço
A norte-americana Christina Koch, de 41 anos, bateu em fevereiro o recorde de permanência de uma mulher no espaço, após 328 dias na Estação Espacial Internacional. Em outubro de 2019, Chistina e Jessica Meir tinham sido as duas primeiras mulheres astronautas a realizar um passeio no espaço junto à Estação Espacial Internacional.

"Enquanto funcionar será para manter" - Rui Agostinho, astrofísico e professor na Faculdade de Ciências de Lisboa 
CM – A Estação Espacial Internacional continua a ser dominada por Estados Unidos e Rússia?
Rui Agostinho – Eles foram os pioneiros e mais tarde houve contribuição europeia e japonesa, com construção de módulos, mas continuam a ser os parceiros principais.
– A China está fora?
– Sim, tem um projeto espacial próprio, muito dinheiro e uma gestão diferente de uma democracia.
– A EEI começou a ser construída em 1998. Qual será o prazo de validade?
– Há sempre um limite para material alvo de muito desgaste, mas enquanto a EEI funcionar e der resultados muito positivos na investigação, será para manter.

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