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Eurogrupo ainda sem acordo ao fim de 16 horas de discussão. Reunião adiada para amanhã

Anúncio foi feito por Mário Centeno, predisente do grupo, na sua conta oficial no Twitter.
Correio da Manhã e Lusa 8 de Abril de 2020 às 07:41
Mário Centeno
Mário Centeno FOTO: Reuters

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno anunciou esta quarta-feira que não foi ainda possível chegar a um acordo sobre a crise económica face à pandemia, após 16 horas de reunião, que se prolongou madrugada dentro esta quarta-feira. 

O anúncio foi feito pelo próprio presidente do fórum de ministros das Finanças da zona euro, na sua conta na rede social Twitter.

"Depois de 16 horas de discussão estivemos perto, mas ainda não foi chegarmos a acordo. Suspendei [a sessão do] Eurogrupo, que retoma amanhã. O meu objetivo mnatém-se: Estabelecer uma forte rede de segurança na UE contra as consequências da Covid-19 (para proteger trabalhadores, empresas e países) e comprometer-se com um plano de recuperação considerável", escreveu o também ministro português.

Também através daquela rede social, o porta-voz do Eurogrupo, Luís Rego, informou que, devido à suspensão dos trabalhos, a conferência de imprensa marcada para esta manhã foi adiada. "Mais detalhes serão anunciados posteriormente", adianta.

A videoconferência do Eurogrupo, conduzida desde Lisboa por Mário Centeno, começou na terça-feira já com um atraso de uma hora, às 15h00 de Lisboa, tendo sido interrompida cerca das 18h00 para uma pausa de uma hora. Porém, essa interrupção - durante a qual são feitos os tradicionais contactos bilaterais para tentar alcançar consensos - foi sendo prolongada até às 22h00 de Lisboa, até ao anúncio de que os trabalhos iriam entrar noite dentro.

Antes da reunião, Centeno disse esperar que os ministros das Finanças europeus cheguem a acordo sobre um pacote financeiro de emergência robusto para trabalhadores, empresas e países, e que se comprometam claramente com um plano de recuperação de grande envergadura.

Contudo, o compromisso a que os ministros das Finanças estão 'obrigados' a chegar está a revelar-se difícil de 'fechar', pois o ponto mais controverso da resposta, o financiamento para os Estados-membros, que Centeno defende que deve ser garantido através de linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), por ser a opção mais prática e "consensual", continua a dividir os Estados-membros.

De um lado, vários países, encabeçados por Itália, defendem antes a emissão conjunta de dívida - os chamados 'eurobonds' ou 'coronabonds' - e o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já reafirmou a sua oposição à solução em forma de empréstimos do fundo de resgate da zona euro.

Do outro, um conjunto de países, com Holanda à cabeça, rejeita liminarmente a mutualização da dívida, e, mesmo em relação às linhas de crédito do MEE, quer impor condições.

Mais pacíficas serão as duas outras vertentes do pacote de emergência que o presidente do Eurogrupo espera 'fechar' nesta reunião, para apresentar aos chefes de Estado e de Governo da UE: o programa de 100 mil milhões de euros proposto pela Comissão Europeia para financiar regimes de proteção de emprego e uma garantia de 200 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para apoiar as empresas em dificuldades, especialmente as pequenas e médias empresas.

Em pouco mais de um mês, esta é a quarta reunião por videoconferência dos ministros das Finanças europeus para tentar acordar uma resposta comum à crise do novo coronavírus, sendo que desta feita é-lhes 'exigido' um compromisso, para ser apresentado aos líderes europeus.

No último Conselho Europeu por videoconferência, realizado em 26 de março, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, após uma longa e tensa discussão, mandataram o Eurogrupo para apresentar, no prazo de duas semanas, propostas concretas sobre como enfrentar as consequências socioeconómicas da pandemia, que "tenham em conta a natureza sem precedentes do choque de covid-19", que afeta as economias de todos os Estados-membros.

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