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Ex-ministro que ameaçava 'implodir' Bolsonaro morre de enfarte aos 56 anos

Bebianno, de 56 anos, era uma das maiores ameaças aos projetos políticos do presidente do Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 14 de Março de 2020 às 15:55
Gustavo Bebianno
Gustavo Bebianno FOTO: Getty Images

O ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, considerado o grande responsável pela eleição de Jair Bolsonaro em 2018 mas que tinha rompido com o presidente, morreu ao amanhecer deste sábado depois de ter sofrido um enfarte.

Bebianno, de 56 anos, era uma das maiores ameaças aos projetos políticos de Jair Bolsonaro, pois nas últimas semanas vinha fazendo declarações contra o presidente e os filhos e era considerado uma verdadeira bomba-relógio que poderia "implodir" o governante por saber segredos que talvez agora tenham ficado para sempre escondidos.

Bebianno, que se tinha lançado pré-candidato a autarca do Rio de Janeiro nas municipais do próximo mês de Outubro, estava na sua casa de campo, em Teresópolis, na região serrana da capital fluminense, quando se sentiu mal no final da madrugada. Segundo Paulo Marinho, presidente regional do PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, a que Bebianno agora estava filiado, o antigo ministro acordou o filho perto das quatro e meia da madrugada, sete e meia da manhã em Lisboa, dizendo que estava a passar mal.

Ele dirigiu-se à casa de banho para tomar um remédio e caiu, tendo sofrido ferimentos na cabeça. Levado pelo filho e pelo caseiro a um hospital de Teresópolis, Gustavo Bebianno não resistiu.

O ex-ministro, que era advogado, conheceu Jair Bolsonaro quando este ensaiava os primeiros passos para se lançar candidato a presidente, e ofereceu-se como voluntário para prestar gratuitamente apoio jurídico na campanha. A sintonia entre Bolsonaro e Bebianno foi tão forte que o então candidato aceitou que o novo amigo advogado promovesse a sua saída do pequeno partido onde o ex-capitão militava para um outro, o PSL, Partido Social Liberal, igualmente pequeno mas que lhe oferecia melhores condições e liberdade de acção.

Pelo acordo feito com Luciano Bivar, presidente do PSL, Gustavo Bebianno foi nomeado presidente interino do partido até à eleição, para ter carta branca nas decisões da campanha de Bolsonaro. A estratégia deu certo, Bolsonaro foi eleito presidente e depois disso elogiou publicamente inúmeras vezes Bebianno, a quem creditou em grande parte a sua eleição.

Mas após a tomada de posse de Jair Bolsonaro, em 1 de Janeiro de 2019, a relação entre ele e o seu ministro-chefe da Secretaria-Geral, que ganhou um gabinete perto do do presidente, começou a ficar estremecida, principalmente por Bebianno não aceitar as constantes interferências dos filhos do presidente em decisões do governo. Nessa altura totalmente influenciado pelos filhos, Jair Bolsonaro demitiu sumariamente Gustavo Bebianno em 18 de Fevereiro, apenas mês e meio depois de o ter nomeado, por pressão do filho mais novo, Carlos Bolsonaro.

Silencioso nas semanas seguintes, Gustavo Bebianno, que depois trocou o PSL pelo PSDB, independente em relação ao governo, começou a falar, acusando Bolsonaro de ser controlado pelos filhos, de ser uma pessoa fraca e despreparada, e de se ter rodeado de pessoas traiçoeiras que só o usam para se manterem no poder. A amigos próximos, sem entrar em detalhes, Bebianno vinha dizendo nos últimos tempos que se contasse ao menos uma ínfima parte do que se passou de verdade na campanha que elegeu Bolsonaro, o presidente não se sustentaria no cargo.
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