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Falso agente mata três polícias à queima-roupa durante abordagem em São Paulo

Cauê Assis, de 24 anos, matou os três polícias à queima-roupa antes de ele próprio morrer por também ter sido atingido por disparos feitos pelas vítimas.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 11 de Agosto de 2020 às 11:13
Polícia brasil
Polícia brasil FOTO: Getty Images

Três dias depois do triplo homicídio que chocou a cidade brasileira de São Paulo, a polícia local ainda não tem uma explicação plausível para a morte de três agentes da Polícia Militar que abordaram um suspeito que se identificou como polícia. Aproveitando o descuido dos militares, que realmente acreditaram que ele era um colega, o atirador, Cauê Doretto de Assis, de 24 anos, matou os três à queima-roupa antes de ele próprio morrer por também ter sido atingido por disparos feitos pelas vítimas.

O estranho episódio que terminou com quatro mortes ocorreu no final da madrugada de sábado, 8 de Julho, na Avenida Escola Politécnica, na zona oeste da capital paulista. Um homem que estava com Cauê no carro, Vítor Mendonça Ferreira, mas que aparentemente não participou nos crimes contou à polícia como tudo se passou.

Ele e Cauê saíram de um bar onde tinham estado a beber já perto das cinco da madrugada e ao perceberem uma mota com a matrícula escondida, Cauê tentou abordar o motociclista, que fugiu. Uma viatura da Polícia Militar cujos ocupantes, um sargento e dois soldados, estranharam a abordagem fizeram parar o carro onde estavam Cauê e Vitor.

Cauê saiu do carro exibindo uma identificação da Polícia Civil (Judiciária) e gritou para os três militares que era polícia e que estava armado e não iria oferecer resistência. Obedecendo aos agentes da Polícia Militar, Cauê entregou-lhes a identificação de polícia, que mais tarde se verificou ser falsa, e a arma, tranquilizando os militares.

Porém, quando estes se afastaram para irem ao rádio do carro da corporação confirmar a identidade apresentada pelo suposto colega, Cauê tirou de repente uma segunda arma das costas, matou o primeiro polícia com um tiro certeiro na cabeça e depois atingiu mortalmente também o segundo militar, que estava de costas. Mesmo nessa altura já baleado pelo terceiro agente da Polícia Militar, Cauê conseguiu recuperar a primeira arma e descarregou-a contra o agente, atingido com ao menos 15 tiros, e depois acabou por morrer também.

Nem o amigo nem a família de Cauê conseguem explicar o que levou o falso polícia a cometer o triplo homicídio. A família, aliás, acreditava que Cauê era realmente da polícia, pois ele saía para supostos plantões, contava as peripécias de um suposto dia de trabalho nas ruas, e tinha em casa, além da identificação de polícia, um distintivo, algemas, várias armas, verdadeiras e falsas, cassetete e até um colete balístico.

Não há memória na polícia de São Paulo de que três agentes tenham morrido num único dia numa simples abordagem. Dos três militares mortos, o soldado Celso Ferreira de Menezes Júnior, de 33 anos, o soldado Vítor Rodrigues Pinto da Silva, de 29 anos, e o sargento José Valdir de Oliveira Júnior, de 37 anos, dois deles iam ser pais nos próximos dias, um deles de gémeos.

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