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Fãs de todas as idades fazem fila para o último adeus a Roberto Leal

Cantor morreu no Hospital Samaritano, em São Paulo, onde estava internado há cinco dias.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 16 de Setembro de 2019 às 15:03
Velório com as bandeiras de Portugal e Brasil
Filho do cantor, Rodrigo, estava inconsolável
Roberto Leal
Velório com as bandeiras de Portugal e Brasil
Filho do cantor, Rodrigo, estava inconsolável
Roberto Leal
Velório com as bandeiras de Portugal e Brasil
Filho do cantor, Rodrigo, estava inconsolável
Roberto Leal

Fãs de todas as idades começaram a formar uma fila ainda de madrugada para o último adeus ao cantor português Roberto Leal, cujo corpo começou a ser velado ao início da manhã desta segunda-feira na Casa de Portugal da cidade brasileira de São Paulo. Roberto Leal, que tinha 67 anos, morreu na madrugada deste domingo no Hospital Samaritano, também na capital paulista, onde estava internado há cinco dias.

Ao Correio da Manhã, a secretaria da entidade portuguesa avançou que mesmo antes de o sol raiar, muitas pessoas, a maior parte portugueses de idade avançada mas também brasileiros e jovens, começaram a formar uma longa fila na calçada em frente à Casa de Portugal, na Avenida da Liberdade, centro da cidade, onde Roberto Leal tantas vezes se apresentou.

Visivelmente emocionados, assim que as portas do local do velório foram abertas, às 7 horas da manhã, horário local, 11 horas em Lisboa, os fãs iniciaram o cortejo em redor da urna funerária com os restos mortais do cantor para a derradeira homenagem.

Ladeando o caixão, bandeiras de Portugal e do Brasil, os dois países que o cantor guardava com igual carinho no coração. Ao longo da manhã, foram muitas as cenas de profunda tristeza, visível nos rostos e nas lágrimas de vários fãs, mas também a unanimidade nos elogios ao português mais querido do Brasil.

Os mais velhos, na sua maioria portugueses, lembravam a importância das canções de Roberto Leal para de alguma forma acalmarem as saudades do Portugal que tinham deixado para trás tentando uma vida melhor. Os mais novos, mesmo os que não conheciam Roberto Leal, mostravam-se igualmente pesarosos e contavam que tinham aprendido a gostar das músicas do cantor português desde a infância de tanto ouvirem em casa os discos que pais e avós compravam e tocavam sem cessar.

Também no lado de fora da Casa de Portugal foram prestadas homenagens ao cantor que arrebatou portugueses e brasileiros com canções como "Arrebita" e "Bate o pé", entre muitos outros sucessos da sua carreira. Ao longo da Avenida da Liberdade, faixas diziam "Obrigado, Roberto Leal, por ter amado tanto o Brasil", enquanto outras afirmavam que os seus autores já sentiam saudades do ídolo.

O funeral de Roberto Leal está previsto para sair da Casa de Portugal às 15 horas locais, 19 em Lisboa. Roberto Leal, nome artístico de António Joaquim Fernandes, nascido em Macedo de Cavaleiros, será sepultado no Cemitério de Congonhas, na zona sul de São Paulo.

O cantor lutava há quase três anos contra um cancro na pele, que se espalhou e atingiu outros órgãos, principalmente o fígado. Apesar disso, familiares e o próprio Roberto Leal estavam confiantes, pois a doença parecia controlada e o cantor conseguia até, mesmo com dificuldades evidentes, manter uma agenda de apresentações.

Tendo ido para o Brasil com os pais e outros nove irmãos aos 11 anos, Roberto Leal trabalhou inicialmente como sapateiro, vendedor numa loja e feirante, antes de conhecer a fama com as suas canções. Ao longo de 45 anos de carreira, gravou mais de 400 canções e vendeu pelo menos 17 milhões de discos.

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