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Fica com faca cravada nas costas durante 44 horas por falta de médico em hospital de Brasília

Ferido foi operado quase dois dias depois após a mulher ter denunciado o caso à imprensa.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 18 de Fevereiro de 2020 às 19:01
Médicos
Médicos FOTO: Getty Images

Um homem de 28 anos ficou mais de 44 horas com uma faca cravada nas costas à espera de ser atendido num hospital público da cidade de Brasília, a capital federal brasileira, por, naquela unidade, não haver um neurocirurgião. O rapaz, que pediu para não ser identificado por temer represálias dos homens que o esfaquearam, só foi operado ao início da madrugada desta terça-feira, depois de a mulher, desesperada, ter pedido ajuda à imprensa e o caso ter tido muita repercussão.

O ferido chegou ao Hospital Regional de Taguatinga, cidade a 26 km de Brasília, ao início da madrugada de domingo, depois de ter sido esfaqueado por dois homens num bar. Na origem da desavença terá estado o homem ter reclamado do tempo que um amigo dos agressores demorava na casa de banho, que ele também queria usar. Como a faca ficou cravada a curta distância da medula óssea, os médicos das urgências não puderam realizar a cirurgia, que teria de ser feita por um especialista, um neurocirurgião.

O problema é que aquele hospital não tem esse tipo de especialista e o ferido, sem que tenha sido dada qualquer explicação para isso, também não foi transferido para outra unidade hospitalar onde houvesse neurocirurgião. Ao longo de todo o domingo e até à noite de segunda-feira, o ferido ficou deitado de bruços, ainda com a faca cravada nas costas, sem poder alimentar-se adequadamente ou mexer-se, pois qualquer movimento poderia fazer a lâmina mover-se e paralisá-lo para sempre.

Cansada de tanta demora e desesperada com o sofrimento do marido, a mulher do ferido procurou a imprensa e o caso tomou rapidamente grande proporção, principalmente por causa das imagens da faca espetada nas costas do paciente. Finalmente transferido para outra unidade, o Hospital Regional Leste, na região do Lago Paranoá, em Brasília, o rapaz foi finalmente operado por uma equipa de nove médicos, entre eles dois cirurgiões especializados em coluna.

Segundo a mulher do ferido, que também pediu para não ser identificada, os médicos deste hospital foram "fantásticos" e a delicada cirurgia foi um sucesso. Ainda de acordo com ela, os médicos garantiram-lhe que o marido não ficará com nenhuma sequela do ferimento.
Brasília saúde hospitais questões sociais
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