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Filho de Jair Bolsonaro investigado por enriquecimento ilícito

Investigação pretende confirmar suspeitas de que Flávio usou a compra e venda de imóveis para disfarçar enriquecimento.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 6 de Fevereiro de 2019 às 15:34
Bolsonaro
Jair Bolsonaro
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O filho mais velho do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o agora senador Flávio Bolsonaro, vai ser investigado pela Procuradoria-Geral da República por suspeita de enriquecimento ilícito através de negócios imobiliários atípicos que chamaram a atenção de órgãos de controlo de movimentações financeiras. O despacho foi assinado pelo subprocurador Juliano Baiocchi, depois de receber um relatório referente a um inquérito investigativo realizado pela Polícia Federal sobre o assunto.

A investigação pretende confirmar ou não suspeitas de que Flávio, até dezembro passado deputado regional no estado do Rio de Janeiro, usou a compra e venda de imóveis para disfarçar o enriquecimento, incorrendo no crime de branqueamento de capitais. Chamou a atenção dos órgãos de controlo que o então deputado vendesse imóveis supostamente adquiridos para uso próprio imediatamente a seguir a tê-los comprado, e ganhando nessas operações-relâmpago avultadas somas.

Só numa dessas transações-relâmpago, o filho do presidente lucrou aproximadamente 194 mil euros, tendo recebido, o que também chamou a atenção, parte dos 574 mil euros da venda do apartamento em dinheiro vivo, algo nada usual. Flávio também é suspeito nesse inquérito de falsidade ideológica eleitoral, por, segundo a Polícia Federal, ter declarado à justiça os seus bens por montantes bem inferiores ao que eles realmente valem.

A investigação aberta agora na Procuradoria-Geral da República não está relacionada com um outro caso envolvendo o filho mais velho do presidente brasileiro, mas no qual, ao menos por enquanto, Flávio Bolsonaro é apenas citado e não investigado. Este caso envolve Fabrício Queiroz, que durante mais de oito anos foi o homem de confiança do então deputado Flávio Bolsonaro, e que movimentou em curto espaço de tempo mais de 1,6 milhões de euros, um valor muitíssimo acima do que ganhava como motorista do político, e que atribuiu a trabalhos paralelos, nomeadamente a compra e venda de carros usados.

O que chamou ainda mais a atenção dos órgãos de controlo foi o facto de Queiroz costumar receber na sua conta bancária inúmeros depósitos de outros assessores de Flávio Bolsonaro, sempre nos dias em que o parlamento fluminense pagava os ordenados, e de um ou dois dias depois ele próprio fazer grande quantidade de depósitos na conta do deputado, sempre em pequenos valores, como se tentasse não chamar a atenção.

A denúncia foi feita pelo COAF, Conselho de Controlo das Atividades Financeiras, um órgão de combate a crimes financeiros subordinado à Receita Federal (o Fisco brasileiro), e o Ministério Público do Rio de Janeiro, que apura o caso, acredita estar-se face a uma prática ilegal mas muito comum no Brasil, a de assessores parlamentares serem contratados com altos salários para depois devolverem a maior parte do que receberam ao político que os contratou.
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