Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Filipinas receiam que Pequim continue a expansão no Mar do Sul da China

Ministro da Defesa filipino diz que possível construção "seria inaceitável".
7 de Fevereiro de 2017 às 22:28
O ministro da Defesa filipino,  Delfin Lorenzana
O ministro da Defesa filipino, Delfin Lorenzana FOTO: EPA
O Governo filipino receia que Pequim faça trabalhos de construção num recife próximo das costas do arquipélago, nas águas asperamente disputadas no Mar do Sul da China, o que "seria inaceitável", disse hoje o ministro das Defesa.

Em entrevista à agência noticiosa AFP, Delfin Lorenzana admitiu esperar que a China faça um dia trabalhos de terraplanagem no recife de Scarborough, que se situa a 230 quilómetros de Luçon, a ilha principal das Filipinas, e onde há várias gerações que os pescadores filipinos ali têm lançado as redes nas águas abundantes em peixe.

Scarborough está a 650 quilómetros da ilha de Hainan, a massa terrestre chinesa mais próxima.

Pequim já criou numerosas ilhas e ilhotas artificiais no cobiçado Mar do Sul da China, tendo edificado infraestruturas militares em várias.

Se a China fizer o mesmo em Scarborough, os analistas consideram que conseguiria o controlo militar de facto da região, o que Washington disse que não aceitaria.

A China assumiu o controlo deste atol em 2012, depois de as marinhas dos dois países se terem confrontado.

Um novo posto avançado chinês em Scarborough constituiria seria a última etapa física importante para conseguir o controlo da região, devido à sua posição geográfica.

As forças dos EUA deslocadas para o arquipélago passariam a estar ao alcance dos aviões de guerra e mísseis chineses.

Este recife permite dominar a saída nordeste do mar e um posto avançado chinês poderia servir para impedir as marinhas dos outros países de navegarem na região.

Em julho do ano passado, o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia considerou ilegais as reivindicações de Pequim, que considera como território nacional a quase totalidade deste mar.

A China sustenta-se numa delimitação aparecida em mapas chineses dos anos 1940, que não é considerado válido por aquele tribunal.

O Mar do Sul da China tem importantes reservas de hidrocarbonetos. Por outro lado, mais de 4,5 biliões de euros anuais de fretes transitam por estas águas.

"A sua estratégia é talvez de enfrentar qualquer potência que queria estar presente no Mar do Sul da China, porque pensam que lhes pertence -- é como se fosse o seu lago", disse o ministro filipino.

O Governo de novo Presidente norte-americano deu a entender que iria reagir a uma eventual tentativa de Pequim para reforçar o seu controlo da região.

Durante a sua audição de confirmação, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, declarou que Washington iria bloquear o acesso da China a estas ilhas artificiais.

Mas analistas já sublinharam que, para o fazer, seria necessário um bloqueio militar, o que seria "um ato de guerra".

Lorenzana considerou as declarações "muito perturbadoras", sublinhando que o seu país poderia tornar-se palco de batalha entre as duas superpotências.

"Se tivéssemos uma forte presença militar, poderíamos pará-los, mas não temos. Continuo a esperar que, no futuro, um tipo razoável em Pequim veja a luz e veja que o recife nos pertence. É querer a lua, mas quem sabe?", questionou.
Filipinas Pequim Governo Mar do Sul da China Delfin Lorenzana Washington Rex Tillerson política defesa
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)