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Florida: Candidatos ao ataque em Estado crucial para as eleições nos EUA

Trump insiste nos negócios da família de Biden e democrata corteja voto latino.
Ricardo Ramos 30 de Outubro de 2020 às 08:58
Donald Trump
Donald Trump
Os dois candidatos à Casa Branca centraram esta quinta-feira as suas atenções na Florida, um dos estados cruciais nestas Presidenciais e onde se encontram separados por apenas dois pontos (47%-49%), com vantagem para Biden.

Com comícios praticamente à mesma hora, Donald Trump e Joe Biden apostaram no ataque, num derradeiro esforço para conquistar um estado que vale 29 votos no Colégio Eleitoral. Ciente disso, o presidente menosprezou os conselhos para falar da recuperação económica e repetiu o ataques sobre os negócios suspeitos da família de Biden, para satisfação da multidão reunida num parque de estacionamento em Tampa.

Já o candidato democrata, que discurso num comício ‘drive-in’ em Broward, voltou a centrar os ataques na gestão desastrosa da pandemia e piscou o olho ao voto latino, que habitualmente favorece os republicanos. “Ele não vai fazer nada pela democracia em Cuba ou na Venezuela porque prefere abraçar os autocratas”, acusou.

‘Anónimo’ dá a cara antes das eleições
O misterioso crítico de Trump que em 2018 revelou a existência de uma "resistência silenciosa" na Administração que tentava travar os impulsos antidemocráticos do presidente decidiu revelar a sua identidade a poucos dias das eleições e apelar ao voto em Joe Biden. Miles Taylor, que desempenhou as funções de chefe de gabinete do Departamento de Segurança Interna, assumiu ser o ‘Anónimo’ que assinou o polémico artigo no New York Times em 2018 a revelar as tentativas de alguns responsáveis para limitar os danos do presidente. "Sou republicano e queria que o presidente tivesse sucesso. Mas, demasiadas vezes em tempos de crise, ele mostrou ser um homem sem caráter, e as suas falhas resultaram na morte de americanos", afirmou Taylor, admitindo o fracasso da ‘resistência’ interna. "O país não pode depender de burocratas bem intencionados para guiar o presidente na direção certa".

À espera da primeira mulher presidente
Em dupla com Biden, Kamala Harris poderá ser a primeira mulher na vice-presidência dos EUA. É a terceira a tentá-lo, após a já falecida democrata Geraldine Ferraro, que fez campanha contra Reagan, em 1984, e a republicana Sarah Palin, que se opôs, com McCain, à eleição de Obama em 2008. O voto numa mulher recebeu, entretanto, o estímulo de Hillary Clinton: há quatro anos, foi candidata à Presidência, somou mais 2,8 milhões de votos que Trump no sufrágio universal, mas perdeu por 304-227 nos grandes eleitores. A ideia de uma mulher presidente nos EUA vem desde 1872. Então, 48 anos antes da lei dar voto às mulheres, houve pela primeira vez uma candidata: Victoria Woodhull, de 34 anos, líder do Movimento dos Direitos Iguais, fez campanha mas foi presa a quatro dias da votação. Acusaram-na de crime de obscenidade por noticiar no seu jornal o caso de adultério de um famoso pastor protestante. Desde então registaram-se mais de 30 candidaturas femininas à Presidência mas, salvo Hillary, vieram de pequenos grupos. Este ano vão a votos Jo Jorgensen, do partido Libertário, e Gloria La Riva, do Socialismo e Libertação. As expectativas fixam-se porém, em Kamala Harris, de 54 anos. Tal como Obama, vem de um mandato no Senado e soma longo trabalho social e político.
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