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Fortes chuvas deixam vários bairros da capital cabo-verdiana sem eletricidade

Fortes chuvas no país provocaram inundações, enxurradas e desabamentos.
Lusa 12 de Setembro de 2020 às 23:46
Eletricidade
Eletricidade FOTO: Nuno André Ferreira
Vários bairros da Praia estão esta noite sem eletricidade, depois de as fortes chuvas que desde a última madrugada afetam a capital cabo-verdiana, com inundações, enxurradas e desabamentos, terem danificado a rede de distribuição.

Em comunicado, a empresa pública de produção e distribuição de eletricidade Electra refere que, "devido às más condições atmosféricas", tem registado "avarias nas redes de transporte e distribuição de eletricidade, com perturbações no fornecimento de energia em várias localidades".

"As nossas equipas estão no terreno a fazer todos os possíveis para a reparação das avarias que vão surgindo. Contudo, nas situações em que os cabos se encontram submersos, só será possível a reparação assim que as condições atmosféricas e de segurança permitirem", alerta a empresa.

Acrescenta que "o mau tempo, associado a práticas de roubo de energia" nas redes elétricas e de iluminação pública, "potenciam a ocorrência de disparos e avarias", apelando por isso aos populares para se manterem "afastadas de postes e cabos, evitando os perigos de choques elétricos".

As fortes chuvas que caem desde a última madrugada na Praia provocaram a morte de um bebé, várias cheias, desmoronamentos e destruição de viaturas e edifícios, segundo a proteção civil.

Durante a tarde, várias ruas permaneciam intransitáveis, sobretudo nas zonas mais baixas da cidade, com centenas de populares a concentrarem-se no exterior, com estruturas e vias de comunicação em risco.

Segundo o presidente do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, Renaldo Rodrigues, numa das enxurradas morreu um bebé de seis meses, que se encontrava em casa com a mãe e um irmão.

As cheias afetam os bairros do Paiol, Lém Cachorro, Calabaceira e Pensamento, na Praia, mas também noutros pontos da ilha de Santiago.

"Não diria que a situação é caótica, mas que inspira alguns cuidados. Temos dezenas de pessoas em zonas de risco, em várias localidades, que têm de ser realojadas de imediato", descreveu à Lusa Renaldo Rodrigues.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, anunciou durante a tarde que vai reunir no domingo o Gabinete de Crise do Governo, para "acompanhar mais de perto toda a situação e tomar as medidas necessárias e urgentes".

O arquipélago de Cabo Verde está desde a última madrugada sob a influência de uma onda tropical que poderá transformar-se em depressão tropical, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG).

As previsões apontam que a onda tropical atinja o país até segunda-feira, estando associada a uma larga área de convecção produzindo aguaceiros e trovoada.

O instituto cabo-verdiano adiantou que o sistema está localizado junto à costa da Guiné Bissau, desloca-se com uma velocidade de 30 km/h e tem cerca de 70% de probabilidade de se transformar em uma depressão tropical.

"Durante a sua passagem condicionará o estado do tempo nas ilhas", referiu o INMG, que prevê ainda chuvas de intensidade variável e possibilidade de trovoadas, intensificação do vento e agravamento significativo do estado do mar.

Depois de três anos consecutivos de seca, com chuvas irregulares e insuficientes, desde meados de julho que a chuva voltou a cair com alguma frequência em algumas ilhas de Cabo Verde.

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