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Correio da Manhã

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França lança 'caça' a islamistas radicais após professor ser decapitado por mostrar caricaturas de Maomé

Terrorista checheno ofereceu dinheiro a alunos para identificarem a vítima.
Ricardo Ramos 20 de Outubro de 2020 às 01:30
Milhares de franceses saíram à rua para homenagear o professor Samuel Paty, decapitado por um radical islâmico por ter mostrado caricaturas de Maomé na aula
Samuel Paty
Milhares de franceses saíram à rua para homenagear o professor Samuel Paty, decapitado por um radical islâmico por ter mostrado caricaturas de Maomé na aula
Samuel Paty
Milhares de franceses saíram à rua para homenagear o professor Samuel Paty, decapitado por um radical islâmico por ter mostrado caricaturas de Maomé na aula
Samuel Paty

A polícia francesa lançou esta segunda-feira uma operação em larga escala contra o islamismo radical, visando "dezenas de indivíduos" e associações acusadas de partilharem ideias extremistas ou fazerem a apologia do ódio e do terrorismo nas redes sociais.

A operação é uma consequência direta do bárbaro assassinato do professor Samuel Paty, decapitado em plena rua por um extremista checheno, na sexta-feira, por mostrar caricaturas de Maomé numa aula sobre liberdade de expressão.

"O medo tem de mudar de campo. Os islamistas vão deixar de dormir tranquilos no nosso país", anunciou domingo à noite o presidente, Emmanuel Macron. O ministro do Interior, Gérard Darmanin, confirmou esta segunda-feira que operação visa várias dezenas de radicais conhecidos das autoridades e grupos como o Coletivo Contra a Islamofobia em França ou associação BarakaCity, consideradas pelo ministro como "inimigos da República".

Paralelamente a esta operação foram ainda abertas mais de 80 investigações contra "indivíduos que defenderam, de uma maneira ou de outra, nas redes sociais, que o professor teve o que mereceu", explicou o ministro.

Pelo menos 11 pessoas foram detidas no âmbito da investigação ao assassinato de Samuel Paty, incluindo o pai de uma aluna e o islamista radical Abdelkhakim Sefrioui, que lideraram a contestação ao professor e publicaram nas redes sociais um vídeo a denunciá-lo.

"Na prática, eles lançaram uma ‘fatwa’ [decreto religioso] contra o professor", afirmou o ministro do Interior. O autor do ataque, Abdoullakh Anzorov, um extremista islâmico de origem chechena, de 18 anos, que foi abatido pela polícia, não conhecia o professor e vivia a mais de 100 quilómetros da escola onde este lecionava. Segundo a polícia, terá oferecido dinheiro aos alunos para lhe identificarem a vítima.

Pormenores
Radicais deportados
As autoridades francesas anunciaram segunda-feira planos para deportar pelo menos 213 cidadãos estrangeiros investigados pela polícia por suspeitas de radicalismo. Mais de metade dos visados encontra-se atualmente a cumprir penas de prisão.

Apoio a instigador
Bilal Righi, diretor da ONG islâmico Ummah Charity, foi detido pela polícia no fim de semana por lançar uma campanha de angariação de fundos para apoiar o pai da aluna que foi preso por suspeita de ajudar a instigar o ataque contra o professor.

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