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Generais do governo brasileiro tentam demover demissão de Sérgio Moro

Decisão do ministro da Justiça ocorreu após Bolsonaro ter demitido diretor-geral da Polícia Federal do Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 24 de Abril de 2020 às 11:15
Sérgio Moro (esq.) é bastante mais popular do que Bolsonaro nas sondagens
Sérgio Moro (esq.) é bastante mais popular do que Bolsonaro nas sondagens FOTO: AFP

Ao menos três generais que fazem parte do governo do presidente Jair Bolsonaro estavam no final da noite desta quinta-feira, pelo horário brasileiro, madrugada de sexta em Portugal, empenhados num esforço comum para demover o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, de deixar o cargo, de que supostamente apresentara demissão horas antes.

Fontes ligadas ao governo brasileiro que falaram à imprensa sob anonimato avançaram ao início da tarde que Moro tinha apresentado demissão depois de Bolsonaro ter intervido na Polícia Federal, subordinada ao ministro, mas no final da noite nem o ex-juiz nem o presidente tinham feito qualquer anúncio oficial.

Os generais Valter Braga Neto, ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, e Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, revezavam-se na noite desta quinta na tentativa de manter o ex-juiz no governo, intermediando uma solução entre ele e Bolsonaro.

Moro terá apresentado demissão depois de Jair Bolsonaro o ter chamado para o informar de que tinha decidido trocar o comando da Polícia Federal, demitindo o actual director-geral, Maurício Valeixo.

Valeixo foi escolhido pessoalmente por Sérgio Moro e é o homem de confiança dele na Polícia Federal. O chefe da principal polícia brasileira era superintendente da PF em Curitiba quando Moro comandava nesta cidade a operação anti-corrupção Lava Jato, e entre ambos criaram-se laços profissionais e pessoais muito fortes.

Ao saber da decisão de Bolsonaro, Sérgio Moro sentiu-se desautorizado, avaliou que sem Valeixo não valeria a pena continuar no governo e disse ao presidente que se o director da PF fosse demitido, ele também sairia.

O que os três generais estavam a tentar conseguir era um acordo de cavalheiros entre Bolsonaro e Moro, por exemplo, que o ministro permanecesse no cargo mesmo com a demissão de Valeixo, em troca de o presidente o deixar indicar outro nome para o comando da Polícia Federal.

Desde Agosto do ano passado Jair Bolsonaro tenta demitir Maurício Valeixo, por este manter uma posição de independência em relação ao governo, não aceitando interferências nas investigações da corporação que comanda, sendo apoiado por Moro.

Entre as investigações que a Polícia Federal faz neste momento há apurações que envolvem dois filhos de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, suspeito de corrupção, e o deputado Eduardo Bolsonaro, suspeito de comandar uma rede de disparo de fake news contra adversários do pai.

Uma outra investigação, determinada segunda-feira pelo Supremo Tribunal Federal pode atingir o próprio presidente. Um dia antes, domingo, Jair Bolsonaro participou e até discursou num acto político ilegal realizado em Brasília em que os manifestantes defenderam o fechamento do Congresso e do Supremo e exortaram as Forças Armadas a darem um golpe de estado para manter o actual presidente no cargo por tempo indefinido e com poderes absolutos.

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