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Correio da Manhã

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General brasileiro nega que forças armadas preparem golpe mas reconhece insatisfação e defende Bolsonaro

Ministro da Defesa manifestou "profunda preocupação" com o clima de forte tensão entre os poderes no Brasil, que atribui a excessos do STF e do Congresso contra o presidente do Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 24 de Maio de 2020 às 07:27
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Adriano Machado

O general Fernando Azevedo e Silva, ministro brasileiro da Defesa, negou crescentes rumores de que as Forças Armadas estejam a analisar desencadear um golpe de Estado, pedido que tem sido insistentemente feito nas ruas há meses por apoiantes de Jair Bolsonaro em atos anti-democráticos a que o próprio presidente tem comparecido, e que até já foi insinuado por outros generais. Mas reconheceu que há uma grande insatisfação na cúpula militar brasileira contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso, que têm limitado ou mesmo anulado decretos presidenciais considerados abusivos por esses órgãos.

Num comunicado oficial divulgado no final deste sábado, o ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas manifestou "profunda preocupação" com o clima de forte tensão entre os poderes no Brasil, que atribui a excessos do STF e do Congresso contra Bolsonaro. Mas ele garantiu que o seu descontentamento e das Forças Armadas não vai culminar num golpe de estado, podendo, no entanto, levar a um clima ainda maior de instabilidade institucional entre os três poderes, executivo, legislativo e judiciário.

Fernando Azevedo e Silva foi forçado a posicionar-se e a negar mais uma vez a preparação de um golpe depois de um outro ministro e também militar, o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ter divulgado sexta-feira um comunicado entendido por toda a imprensa, pela classe política, pelo STF e pelo parlamento como uma ameaça de intervenção militar.

Após o Supremo Tribunal Federal receber e dar andamento meramente administrativo a pedidos de partidos da oposição para apreender e periciar o telemóvel de Jair Bolsonaro, que está a ser investigado por aquele tribunal por suspeita de ingerência indevida na Polícia Federal para impedir ações contra os filhos, igualmente suspeitos em outras investigações, Heleno, mesmo antes de o tribunal ter tomado qualquer decisão, emitiu um comunicado extremamente agressivo considerando inaceitável apreender o telefone do chefe de Estado e ameaçando que, se isso acontecer, haverá "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional".

Nos últimos dois meses, é a terceira vez que o ministro da Defesa é obrigado a posicionar-se oficialmente para desmentir que as Forças Armadas estejam prontas para defender o mandato de Bolsonaro pelas armas.

Nas outras duas vezes, a insinuação da iminência de golpe de estado foi feita pelo próprio presidente da República, ao participar em atos políticos proibidos pela Constituição em que os manifestantes pedem o encerramento do STF e do Congresso e uma intervenção militar que permita a Bolsonaro governar sem limites, e numa delas, em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, o chefe de Estado gritou aos manifestantes que as Forças Armadas estavam ao lado do povo e prontas para agir e garantir o direito dele de cumprir as mudanças que prometeu ao país durante a campanha eleitoral de 2018.
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