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Correio da Manhã

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Governo de Bolsonaro proíbe exportação de seringas e agulhas para garantir vacinação em massa contra a Covid-19

Medida ocorre após fabricantes brasileiros aceitarem vender apenas 7,9 milhões de materiais.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 4 de Janeiro de 2021 às 20:07
Coronavírus no Brasil
Coronavírus no Brasil FOTO: Reuters

O governo brasileiro proibiu a exportação de seringas e agulhas pelos fabricantes do país, visando garantir esses insumos para a esperada vacinação em massa contra o Coronavírus, ainda sem data definida. A medida foi tomada pelo Ministério da Economia a pedido do Ministério da Saúde depois de dias atrás o pregão para compra de seringas e agulhas ter sido um rotundo fracasso.

O Ministério da Saúde, comandado pelo cada vez mais criticado general Eduardo Pazuello, pretendia nesse pregão adquirir 331 milhões de conjuntos de agulhas e seringas, mas os fabricantes que participaram aceitaram vender apenas 7,9 milhões. De acordo com os principais fabricantes brasileiros, além de o preço oferecido pelo governo Bolsonaro ser bem abaixo do praticado no mercado, o Ministério da Saúde ofereceu esse valor pela compra conjunta de seringas e agulhas quando, alegam esses empresários, os dois produtos têm preços e produtores diferentes e deveria ter sido feito um pregão para cada um ou a compra de ambos no mesmo pregão mas em lances distintos.

Pelo decreto que proíbe a exportação, as empresas poderão cumprir os contratos já assinados com clientes de outros países, mas só poderão exportar o total de insumos mencionado nesses acordos já firmados. O governo comprometeu-se, pelo texto da mesma medida, a comprar a quantidade de seringas e agulhas que exceder os contratos já assinados.

Para especialistas, o pregão e a proibição de exportação são mais duas trapalhadas do general Pazuello, que, apesar de ter sido apresentado por Jair Bolsonaro como um grande especialista em logística, parece completamente perdido ante as gigantescas dimensões dos problemas decorrentes do avanço da pandemia de Coronavírus. Pressionado várias vezes pelo Supremo Tribunal Federal, Pazuello nem assim definiu uma data para o tão esperado início do programa de vacinação contra a Covid-19 nem ao menos comprou qualquer vacina, tendo apenas meros protocolos de intenção.

Jair Bolsonaro, negacionista da pandemia de Coronavírus, tem feito campanha sistemática contra a vacinação, já disse e reiterou que não se vai vacinar, e chegou a afirmar que quem tomar a vacina pode correr o risco de se transformar em jacaré ou, se for mulher, passar a ter barba na cara. Por outro lado, ele colocou às pressas vários militares submissos na Anvisa, a agência reguladora brasileira, que exige mais e mais documentação dos laboratórios e até agora não autorizou nenhuma vacina, levando até a Pfizer a queixar-se de que mais nenhum país do mundo faz as exigências do Brasil nessa área.

Dados divulgados esta segunda-feira pelo consórcio criado por veículos de informação para acompanhar a propagação do Coronavírus no país por os números divulgados pelo governo Bolsonaro não oferecerem credibilidade, dão bem uma dimensão da gravidade sanitária no país. De acordo com o consórcio, o Brasil tinha na manhã desta segunda nada menos de 7.733.746 infectados, dos quais 196.018 tinham morrido em decorrência da Covid-19.
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