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Correio da Manhã

Mundo
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Governo grego diz que indícios apontam para fogo posto

Tsipras assume “responsabilidade política” dos incêndios.
Ricardo Ramos 28 de Julho de 2018 às 01:30
Uma moradora de Mati observa os estragos causados pelo fogo na sua residência
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
O rescaldo dos incêndios na Grécia um dia depois da tragédia
Uma moradora de Mati observa os estragos causados pelo fogo na sua residência
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
O rescaldo dos incêndios na Grécia um dia depois da tragédia
Uma moradora de Mati observa os estragos causados pelo fogo na sua residência
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
Buscas por desaparecidos na Grécia
O rescaldo dos incêndios na Grécia um dia depois da tragédia
O governo grego acredita que mão criminosa esteve por detrás do incêndio que na segunda-feira matou 86 pessoas nos arredores de Atenas, numa altura em que aumenta a revolta contra a inação das autoridades e se exigem consequências políticas.

"Temos indicações sérias e pistas significativas que indicam que estamos perante um ato criminoso de fogo posto", disse o ministro da Proteção Civil, Nikos Toskas, confirmando que o fogo começou de forma quase simultânea em três locais diferentes, em redor da capital grega.

O mais grave destes incêndios, o que arrasou a estância balnear de Mati, começou nas colinas em volta da localidade e, segundo os bombeiros, teve origem em 22 focos diferentes, o que aponta para ação humana.

Entretanto, com o fim dos três dias de luto, sobem de tom as críticas à atuação do governo. Ontem, no parlamento, a oposição lançou um forte ataque à inação das autoridades e à ausência de um pedido de desculpas por parte do executivo. "Além do seu falhanço abjeto na hora de proteger as pessoas, este governo mostrou enorme desrespeito pelas vítimas", acusou a porta-voz da Nova Democracia, da oposição.

O primeiro-ministro Alexis Tsipras, criticado por não ter ido ao terreno, assumiu "toda a responsabilidade política" pelo sucedido, mas recusou falar em demissões. Já o ministro da Proteção Civil revelou ter apresentado a demissão um dia após a tragédia "por uma questão de consciência", mas a mesma foi rejeitada por Tsipras.

Entretanto, chegaram a Atenas vários peritos forenses alemães que participaram na identificação das vítimas do tsunami do Sudeste Asiático, em 2004, para ajudar na difícil tarefa de identificação dos restos calcinados das vítimas. Até ontem, apenas 30 das 86 vítimas tinham sido identificadas e as autoridades já avisaram que o processo será demorado.

"Se não houver um milagre vamos morrer" 
Pannos Kokkinidis publicou um vídeo no Facebook a mostrar o avanço das chamas em Mati, acompanhado pela seguinte mensagem: "Se não houver um milagre, vamos todos morrer queimados." Horas depois estava morto, juntamente com a mulher, os dois filhos e a mãe. Não conseguiu fugir a tempo das chamas.

Gregos mobilizam-se para ajudar sobreviventes 
Um verdadeiro exército de voluntários mobilizou-se para ajudar. As escolas de Rafina foram transformadas em centros de recolha e distribuição de roupa e alimentos. Voluntários percorrem as ruas de Mati numa carrinha de caixa aberta, distribuindo água fresca aos bombeiros.

Um grupo de amigos procura cães e gatos que tenham conseguido escapar às chamas e vai deixando comida e água na entrada das casas destruídas pelo fogo, para o caso de algum animal tentar voltar ao lar. Outros alimentam uma plataforma online com os nomes e fotos dos desaparecidos.

Pequenos gestos solidários com os quais tentam minimizar o sofrimento de quem perdeu tudo.
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