Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
3

“Governo põe em risco democracia”

A presença de elementos do governo nas manifestações de apoio ao juiz Baltasar Garzón, este fim-de-semana, deixou indignado o Partido Popular espanhol, com a sua secretária-geral, María Dolores de Cospedal, a acusar o executivo de Zapatero de "estar a pôr em risco a democracia".
27 de Abril de 2010 às 00:30
Membros do governo participaram nas manifestações de apoio a Garzón
Membros do governo participaram nas manifestações de apoio a Garzón FOTO: J. Casares/Epa

"Não se pode actuar como fez o PSOE. Não se pode, todos os dias, reabrir velhas feridas", declarou Cospedal, numa referência ao apoio dos socialistas à investigação dos crimes de Franquismo, alertando ainda para o "perigo que constituem algumas atitudes de membros do PSOE e do governo". A dirigente popular acusou ainda o governo de minar a credibilidade de instituições como o Supremo Tribunal e, por extensão, o sistema democrático.

Entretanto, o juiz Garzón, que responde em três processos perante o Supremo Tribunal – um por ter alegadamente aceite um suborno do Banco Santander, outro por ter ordenado escutas ilegais no caso Gürtel e um terceiro por ter decidido investigar os crimes do Franquismo – pediu a recusa do juiz Luciano Varela, que preside ao julgamento deste último caso, por ter "manifestado interesse no procedimento e parcialidade no mesmo" ao ordenar à organização Manos Limpias que apresentasse um novo texto de acusação. Esta organização considerou já, por seu lado, que o pedido de Garzón constitui "uma fraude da lei, má-fé processual e abuso do direito" e acusou o juiz de arrastar o processo de forma dolosa.

PP ACUSADO DE XENOFOBIA

O partido Iniciativa per Catalunya Verds anunciou que vai enviar à Procuradoria-Geral um folheto do Partido Popular de Badalona, no qual se associa a insegurança à imigração. O ICV lembrou que o código penal espanhol prevê inabilitação de cargos políticos de todos aqueles que incitem à xenofobia. O folheto foi apresentado no passado fim-de-semana pelo vereador popular de Badalona, Xavier Garcia Albiol, que afirma que a maioria dos ciganos vem para Espanha para cometer actos de delinquência. A ICV denunciou ainda a campanha de cartazes dos populares, em que aparecem palavras como insegurança e ‘suciedad’ (sujidade) com fotos de ciganos. O PP pediu desculpa pelas palavras "infelizes" de Albiol, mas adiantou que isso não deve mascarar um problema de convivência que existe.

O AVÔ DE ZAPATERO

Juan Rodriguez y Lozano, avô do primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero e capitão do exército republicano, foi executado pelas tropas falangistas de Franco em 18 de Agosto de 1936.

1 000 000 de mortes é o balanço aceite das vítimas da Guerra Civil de Espanha que se deve considerar mais largo que o período de 17 de Julho 1936- 1 de Abril 1939.

113 000 desaparecidos da guerra civil por terem sido enterrados em valas comuns estão na base da iniciativa de Baltazar Garzón, após apelos das vítimas do Franquismo.

GRITO 'VIVA LA MUERTE'

Legenda dos horrores da Guerra de Espanha é o grito que José Millan Astray (1879-1954) usava na legião estrangeira dos franquistas. Num debate com Unamuno, gritou: ‘Muera la inteligencia! Viva la muerte!’

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)