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Greve da polícia faz disparar homicídios no estado brasileiro do Ceará

Em apenas 24 horas, entre quarta e quinta-feiras, ocorreram no Ceará pelo menos 29 assassínios.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 21 de Fevereiro de 2020 às 14:31
Greve da polícia faz disparar homicídios no estado brasileiro do Ceará
Greve da polícia faz disparar homicídios no estado brasileiro do Ceará FOTO: Getty Images

A greve da Polícia Militar iniciada sexta-feira da semana passada por aumento de ordenados e melhores condições de trabalho fez disparar assustadoramente a violência no estado brasileiro do Ceará, no nordeste do país. Os homicídios intencionais, por exemplo, quase quintuplicaram no estado, levando o pânico à população.

Em apenas 24 horas, entre quarta e quinta-feiras, o último período com os dados já consolidados, ocorreram no Ceará ao menos 29 assassínios. A média para 24 horas em períodos normais é de seis mortes.

Alguns dos crimes aconteceram na via pública, em verdadeiros atos de execução sumária. Num deles, um adolescente de 17 anos foi cercado por sete homens que estavam em motas e crivado de balas numa praça de Fortaleza, a capital do estado, e em outro ponto da cidade um intenso tiroteio de origem desconhecida também deixou uma vítima fatal e vários feridos.

Roubos e assaltos a transeuntes, residências e comércios também aumentaram muito e a insegurança começa a afetar a rotina das pessoas, que estão a optar por não sair de casa ou andarem sempre em grupos. Cidades do interior, onde a vida costuma ser mais tranquila, também estão a sofrer esse aumento da criminalidade, como em Sobral, onde quarta-feira o senador Cid Gomes, natural da cidade, foi baleado ao tentar furar um bloqueio de polícias amotinados em redor de um quartel.

Esta quinta-feira, chegaram a Fortaleza 300 homens da Força Nacional, formada por polícias de elite recrutados em vários estados e treinados para atuar em crises de segurança. Entretanto, avaliando que essa medida não seria suficiente, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o uso de militares das Forças Armadas no reforço da segurança no estado cearense, indo ser utilizadas tropas que já estão sediadas em quartéis locais.

Uma das particularidades dessa greve da polícia do Ceará é que ela não é total, apenas parte dos agentes aderiu, o que torna a situação ainda mais explosiva. Grevistas têm vandalizado viaturas da polícia que encontram em patrulhamento, esvaziado e cortado pneus a outras paradas nos quartéis, e homens encapuçados e fortemente armados, supostamente líderes do movimento grevista, têm invadido ou cercado batalhões da polícia e impedido a entrada e saída dos que querem ir para as ruas trabalhar.
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