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Correio da Manhã

Mundo
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Guterres defende transparência da Organização Mundial de Saúde

Só resposta coordenada dos países desenvolvidos permitirá o retorno à normalidade dentro de “dois ou três anos”.
Rodrigo Amaral 28 de Junho de 2020 às 01:30
António Guterres
António Guterres FOTO: Reuters

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu a gestão da pandemia realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e garantiu que nada foi feito para "esconder a realidade" da situação. Em entrevista ao jornal espanhol ‘El País’, Guterres referiu que deve ser feita uma investigação para apurar a origem do vírus e também para se compreender a razão pela qual este se espalhou tão rapidamente pelo Mundo.

"O que posso dizer é que conheço as pessoas da OMS e elas não estão a ser controladas por nenhum país. Atuaram sempre de boa-fé para obter a melhor cooperação possível dos Estados-Membros. Podem ter sido cometidos erros, mas não creio que a OMS tenha tentado ajudar a China a esconder a realidade. Acho que a organização queria ter um bom relacionamento com a China no início da pandemia. Eles queriam garantir que a China cooperasse", disse o secretário-geral da ONU.

Ainda na mesma entrevista, Guterres revelou que o futuro é incerto e traçou um cenário positivo e um negativo dependendo do grau de coordenação das respostas que forem sendo dadas pelos países desenvolvidos. No cenário positivo, "as coisas voltariam ao normal em dois ou três anos". No cenário negativo, a ausência de coordenação de uma resposta global por partes dos países desenvolvidos, o resultado são "consequências económicas terríveis e uma depressão global que pode durar de cinco a sete anos".

Finalmente, Guterres sublinhou a importância "vital" do papel da União Europeia (UE) para evitar uma ordem mundial dominada por Pequim e Washington: "Acredito firmemente que precisamos de um mundo multipolar com mecanismos de governança multilateral. A UE deve evitar consolidar um G2, ou seja, uma nova ordem global com apenas duas superpotências, os Estados Unidos e a China."

PORMENORES
Federação de democracias
As Nações Unidas não são "uma federação de democracias", diz Guterres. São uma organização onde todos os países se encontram representados.

Relações disfuncionais
O secretário-geral das Nações Unidas destacou ainda que "a relação entre Estados Unidos, China e Rússia está mais disfuncional do que nunca".

Desigualdades vincadas
António Guterres relembrou que "infelizmente, onde há poder, não há liderança, e onde há liderança, falta poder" para retratar as desigualdades entre países.

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