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Guterres sobre Annan: “Ele era a ONU. Liderou-a com dignidade sem paralelo”

Ex-secretário-geral morreu num hospital da Suíça, onde estava internado. Tinha 80 anos.
Francisco J. Gonçalves 19 de Agosto de 2018 às 01:30
Guterres e Annan
Kofi Annan
Kofi Annan
Governo birmanês criou comissão para abordar a violência sectária no estado Rakhine, presidida por Kofi Annan
Guterres e Annan
Kofi Annan
Kofi Annan
Governo birmanês criou comissão para abordar a violência sectária no estado Rakhine, presidida por Kofi Annan
Guterres e Annan
Kofi Annan
Kofi Annan
Governo birmanês criou comissão para abordar a violência sectária no estado Rakhine, presidida por Kofi Annan
Morreu este sábado, aos 80 anos, Kofi Annan, o homem que para muitos melhor simbolizou o espírito de paz e concórdia da ONU. O ex-secretário-geral da organização faleceu em Berna, Suíça, após uma doença contraída em julho, quando regressava da África do Sul, onde participou nas comemorações do aniversário do nascimento de Nelson Mandela.

"Em muitos aspetos ele era a ONU. Liderou-a com uma dignidade sem paralelo", afirmou o atual secretário-geral da ONU, António Guterres.

Nascido em Kumasi, no Gana, em 1938, estudou Economia e Gestão nos EUA e subiu na hierarquia da ONU a pulso. Liderou missões de paz e chefiou o Alto Comissariado para os Refugiados (1980-1983). Foi Nobel da Paz em 2001, pelos esforços de reforma da organização. Exerceu dois mandatos como secretário-geral, entre 1997 e 2006.

Mas o seu legado humanitário e os sucessos diplomáticos ficam ensombrados por fracassos de monta em anos difíceis. Um deles aconteceu em 1994, quando chefiava uma missão de paz no Ruanda. Como admitiu, não soube agir para travar o genocídio de 800 mil tutsis.

Já na chefia da ONU, está ligado ao escândalo do programa Petróleo por Alimentos, que visava ajudar os iraquianos a troco da venda controlada de petróleo. Mas Saddam Hussein manipulou o programa, auxiliado por funcionários corruptos e, pior, pelo filho de Annan, Kojo, que usou os contactos de alto nível na ONU em seu próprio benefício. Houve ainda os fracassos no Darfur, na Bósnia e no Iraque.

Annan retardou o conflito, em 1998, mas não evitou que George Bush iniciasse a guerra em 2003. Em Timor-Leste, depois de inicialmente arrastar os pés, acabou por poder agir e contribuiu para o restabelecimento da independência do antigo território português, em 2002.

Um dos episódios que mais o marcaram foi o ataque em Bagdad, de agosto de 2003, que matou 22 pessoas, entre elas o representante da ONU e amigo pessoal, Sérgio Vieira de Mello.

Com os humanos defeitos que o marcam, o legado de Annan é o de alguém que conheceu os males do Mundo e os combateu. Como ele mesmo disse: "Sou um otimista teimoso. Quando perder a esperança tudo estará perdido, peço-vos para manterem também a esperança".
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