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Correio da Manhã

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Hollande recebido com entusiasmo no Mali

O presidente francês, François Hollande, foi recebido neste sábado com entusiasmo por milhares de populares numa praça central de Tombuctu, cidade do norte do Mali recentemente recuperada aos grupos islamitas que a ocuparam durante quase um ano.
2 de Fevereiro de 2013 às 13:14
Hollande deverá visitar uma mesquita histórica, o centro de conservação de preciosos manuscritos antigos, alguns dos quais foram destruídos pelos islamitas
Hollande deverá visitar uma mesquita histórica, o centro de conservação de preciosos manuscritos antigos, alguns dos quais foram destruídos pelos islamitas FOTO: Reuters

Acompanhado pelo presidente interino do Mali, Dioncounda Traoré, François Hollande foi recebido por duas a três mil pessoas, algumas das quais dançaram ao som de tambores, uma atividade proibida durante os 10 meses de ocupação extremista, assim como todo o tipo de música.

"As mulheres de Tombuctu vão agradecer a François Hollande para sempre", disse Fanta Diarra Toure, de 53 anos. "Temos de lhe dizer que ele cortou a árvore, mas ainda tem de arrancar as raízes", acrescentou.

Hollande deverá visitar uma mesquita histórica, o centro de conservação de preciosos manuscritos antigos, alguns dos quais foram destruídos pelos islamitas.

A 900 quilómetros da capital do Mali, Bamako, Tombuctu foi colocada em vigilância muito elevada, com militares franceses em posição a cada 100 metros, blindados a patrulhar as ruas e carrinhas 'pick-up' cheias de soldados malianos.

O presidente francês viajou com três ministros: Laurent Fabius (Negócios Estrangeiros), Jean-Yves Le Drian (Defesa) e Pascal Canfin (Desenvolvimento).

Os grupos radicais islamitas Al-Qaeda no Magreb islâmico (Aqmi) e Ansar Dine, que ocuparam Tombuctu durante dez meses, cometeram numerosos crimes em nome de uma interpretação da lei islâmica, nomeadamente amputações, chicotadas aos casais 'ilegítimos' e aos fumadores.

Impuseram a utilização do véu integral às mulheres, proibiram escolas mistas, o futebol, a dança e a música, tendo chocado o mundo quando destruíram mausoléus de santos muçulmanos adorados pelas populações locais, por considerarem tratar-se de 'idolatria'.

A França decidiu intervir no conflito do Mali, antiga colónia francesa, a 11 de janeiro, depois de um avanço das forças rebeldes para sul, o que fez temer que todo o país se tornasse um santuário para radicais ligados à Al-Qaeda.

Na operação, que já permitiu recuperar as cidades de Gao e Tombuctu, estão destacados 4.600 soldados franceses, dos quais 3.500 em solo maliano.

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