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Homem de confiança do clã Bolsonaro fugitivo há dois anos preso na casa do advogado do presidente do Brasil

Fabrício Queiroz é considerado uma testemunha-bomba que pode incriminar fortemente o filho mais velho de Jair Bolsonaro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 18 de Junho de 2020 às 16:40
Fabrício Queiroz
Fabrício Queiroz
Fabrício Queiroz
Fabrício Queiroz
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Fabrício Queiroz
Fabrício Queiroz
Fabrício Queiroz
Fabrício Queiroz

A Polícia Civil (Judiciária) de São Paulo prendeu ao amanhecer desta quinta-feira, 18 de junho, o ex-polícia do Rio de Janeiro Fabrício Queiroz, homem de confiança do clã Bolsonaro e considerado uma testemunha-bomba que pode incriminar fortemente o filho mais velho do presidente brasileiro, senador Flávio Bolsonaro. Queiroz estava escondido numa casa de campo do advogado Frederick Wasseff, que defende em vários processos tanto Flávio Bolsonaro quanto o próprio presidente Jair Bolsonaro, localizada em Atibaia, a 66 km da cidade de São Paulo.

Fugitivo há dois anos desde que foi acusado de comandar um esquema de corrupção que pode envolver Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz fingiu não estar em casa quando a polícia paulista, a pedido da polícia e do Ministério Público do Rio de Janeiro cercou a área. Mas os agentes cortaram as correntes do grande portão externo e depois arrombaram a porta da residência, encontrando Queiroz, que foi preso e levado para a sede da Polícia Civil em São Paulo, de onde será depois levado para o Rio.

Fabrício Queiroz foi uma espécie de faz tudo da família Bolsonaro durante anos, e além de ter sido funcionário no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro frequentava a casa do hoje presidente Jair Bolsonaro e costumava jogar futebol com ele e participar em festas da família presidencial. Desde que desapareceu, em Outubro de 2018, Queiroz foi defendido diversas vezes publicamente por Flávio e por Jair Bolsonaro, que negaram veementemente saber o paradeiro dele mas o avaliaram como um homem honesto e trabalhador, em quem depositam toda a confiança.

O Ministério Público do Rio de Janeiro acusa Fabrício Queiroz de comandar um esquema de corrupção no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro conhecido nos meios políticos e policiais como "rachadinha". Esse esquema obriga assessores contratados por altos ordenados, alguns fantasmas, pois nem precisam trabalhar, a devolver a maior parte do que recebem para o político que os contratou.

Os promotores chegaram até Queiroz depois de perceberem que ele, que oficialmente era apenas motorista de Flávio Bolsonaro, movimentava elevadas somas em dinheiro vivo. Parte dessas somas, na casa dos milhões, era recebida por Queiroz de outros assessores de Flávio e posteriormente depositada na conta do então parlamentar fluminense e filho do presidente, sempre em dezenas de quantias de pouco valor, supostamente para não chamar a atenção, mas foi o que acabou por acontecer.

Ainda de acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, com esse dinheiro Flávio Bolsonaro comprou ao menos 19 salas e apartamentos no Rio de Janeiro, através dos quais, dizem os promotores, lavava o dinheiro da "rachadinha". Frederick Wasseff, em cuja casa Queiroz foi encontrado, é uma pessoa muito próxima ao presidente Jair Bolsonaro, que visita frequentemente no palácio em Brasília e a quem, além de defender em processos, aconselha sobre vários assuntos, tendo participado esta quarta-feira ao lado do presidente na posse de um novo ministro na capital federal.
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