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Correio da Manhã

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Homicídio da filha bebé, drogas, roubos e gang: A vida de polémicas do filho de Paul Auster

Daniel, de 44 anos, terá sofrido overdose no metro. Desde a adolescência que tinha problemas com a justiça.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 29 de Abril de 2022 às 01:30
Daniel Auster estava acusado da morte da filha bebé
Daniel Auster estava acusado da morte da filha bebé
Daniel Auster com o pai, Paul Auster
Daniel Auster estava acusado da morte da filha bebé
Daniel Auster estava acusado da morte da filha bebé
Daniel Auster com o pai, Paul Auster
Daniel Auster estava acusado da morte da filha bebé
Daniel Auster estava acusado da morte da filha bebé
Daniel Auster com o pai, Paul Auster

Daniel Auster, filho do famoso escritor norte-americano Paul Auster, morreu após ter sido encontrado inconsciente, ao que tudo indica devido a uma overdose de heroína, na plataforma do metro de Brooklyn em Nova Iorque. A morte acabou por ser declarada no hospital, na passada terça-feira, seis dias depois do paisagista ser formalmente detido e acusado da morte da filha bebé, Ruby, de apenas 10 meses. O episódio com final trágico é o culminar de uma vida ligada às drogas, a envolvimento com gangs e até condenações por roubos.

Daniel, de 44 anos, é filho do celebrado escritor e da tradutora Lydia Davis. Os dois divorciaram-se em 1978, tendo Paul Auster voltado a casar em 1982. Daniel mantinha uma boa relação com o pai, tendo até trabalhado como ator na adaptação para o grande ecrã de ‘Smoke’. O jovem foi afetado pelo divórcio dos pais e, de acordo com o New Yorker, logo na adolescência começou a frequentar discotecas em Nova Iorque e envolveu-se no consumo de drogas.

O primeiro embate com a justiça ocorre em 1996, quando Daniel tinha apenas 18 anos.  O paisagista estava presente no apartamento onde um conhecido traficante de droga, Andre Melendez, foi assassinado por Robert Riggs, um promotor de festas nas mais badaladas discotecas e clubes da ‘Grande Maçã’. O homicida (ou associados deste) ofereceram perto de três mil euros (roubados a Melendez) a Daniel para que mantivesse o silêncio sobre o que tinha visto.

O esquema acabou desmontado e o filho de Paul Auster acabou por ser julgado, onde se deu como culpado de posse de material roubado e foi condenado a uma pena de cinco anos de prisão, tendo acabado por sair em liberdade condicional.

Terá sido nesta altura que Paul Auster cortou relações com o filho.

Seguiram-se, entre 2008 e 2010, várias detenções por posse de droga e, em 2009, uma acusação por roubos e posse de material roubado, crime no qual Daniel já seria reincidente.

Daniel começou depois a trabalhar como paisagista, mas os problemas de dependência de droga mantiveram-se.

Antes de ter sido detido pela morte da filha, acusado de homicídio involuntário, Daniel Auster afirmou que a pequena Ruby morreu devido a uma overdose acidental de fantanil, um poderoso opioide analgésico, enquanto este injetava heroína para dormir uma sesta ao lado da menina. Daniel nunca explicou como é que a menina tinha tomado o fármaco e disse que quando acordou Ruby "estava azul, sem vida e não respondia". A mãe da criança garante que quando saiu de casa para trabalhar a menina "estava bem e acordada".

O advogado assegurou, no entanto, que Auster estava a tentar livrar-se do vício das drogas e até que estaria sóbrio há vários meses, depois de uma série de tratamentos de reabilitação.

A detenção viria a acontecer em abril, cerca de cinco meses após a morte de Ruby e uma robusta investigação. Logo depois, Daniel saiu em liberdade após pagar a fiança a que foi sujeito. Volvidos dois dias, é encontrado inconsciente no metro.

Acaba por morrer e, segundo o The New York Post, que cita fonte policial, tudo aponta para que o vício das drogas se tenha revelado fatal para Daniel Auster: "Foi encontrado com uma acumulação de drogas e uma dose semelhante à que costumava tomar, o que significa que a sua morte pode ter sido acidental".

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