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Correio da Manhã

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Hospitais do estado brasileiro do Amazonas registam mais de 50 mortos por semana devido à falta de oxigénio

Crise no abastecimento de oxigénio no Brasil começou há cerca de duas semanas, após o brutal aumento de casos de Covid-19.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 20 de Janeiro de 2021 às 10:51
Crise de oxigénio nos hospitais brasileiros
Crise de oxigénio nos hospitais brasileiros FOTO: Reuters

Mais de 50 pessoas, a maior parte delas infetadas com Covid-19, internadas em estado grave em hospitais do estado brasileiro do Amazonas morreram em apenas uma semana por essas unidades de saúde não terem oxigénio para as manter vivas. O levantamento foi feito pelo Ministério Público (MP) e divulgado no final da noite desta terça-feira, horário local, madrugada desta quarta em Lisboa.

De acordo com os dados levantados pelo MP, pelo menos 51 doentes internados morreram nesse período, mas o total de casos fatais devido à falta de oxigénio nos hospitais do estado deve ser muito superior. Só em Manaus, onde foram registados 28 óbitos por falta de oxigénio, seis dos onze hospitais questionados pelos procuradores não responderam, entre eles o Hospital 28 de Agosto, o maior do Amazonas.

No interior do estado, outras 23 mortes foram informadas em resposta aos procuradores, mas, também neste caso, os números reais devem ser ainda mais graves. Muitos hospitais de regiões distantes, incrustados no meio da floresta amazónica e alguns até sem comunicação, também não responderam ao questionário.

Calcula-se que nos hospitais no interior do imenso estado, onde o transporte só é feito por barcos e, mesmo em tempos normais, já falta tudo, tenha havido um grande número de vítimas fatais devido à crise no abastecimento de oxigénio. Só em duas das cidades que responderam ao questionário ocorreram 18 mortes, sete no Hospital Regional de Coari, e outras 11 em hospitais de Itacoatiara.

A crise no abastecimento de oxigénio ao estado do Amazonas começou há cerca de duas semanas, após o brutal aumento de casos de Covid-19, tanto devido aos ajuntamentos familiares do Natal e do ano novo, como pelo surgimento de uma mutação local do coronavírus, muito mais contagiosa do que a original. O consumo diário de oxigénio só nos hospitais de Manaus disparou de 15 mil metros cúbicos para 75 mil metros cúbicos a cada 24 horas, enquanto as três fábricas do produto existentes no Amazonas e que já estão a trabalhar com a sua capacidade máxima só conseguem produzir 28 mil metros cúbicos por dia.

O ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, foi enviado ao Amazonas pelo presidente Jair Bolsonaro mas, ao invés de garantir oxigénio, determinou o uso da polémica Cloroquina para curar os doentes leves e graves de Covid-19, medicamento indicado pelo próprio presidente brasileiro, que não é médico, mas condenado pela Organização Mundial de Saúde, OMS. Nos últimos dias, perante a avalancha de pedidos de socorro e de gritos de indignação, Pazuello criou uma espécie de ponte aérea com Manaus usando aviões da Força Aérea para levarem oxigénio para o Amazonas, mas as aeronaves, claramente insuficientes, só levam ao todo 20 mil metros cúbicos por dia e Jair Bolsonaro disse num direto que não podia fazer mais nada pois a responsabilidade não é dele e sim dos governantes locais.

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