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Hospital de São Paulo esvazia prédio e cria 900 camas para infetados com coronavírus em estado grave

Edifício do Instituto Central foi higienizado, adaptado e equipado para receber os pacientes.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 30 de Março de 2020 às 15:38
Cama de hospital
Cama de hospital FOTO: Getty Images

Na maior ação do género já realizada no Brasil e considerada pelos seus idealizadores uma verdadeira operação de guerra, o Hospital das Clínicas de São Paulo, hospital público ligado à famosa USP, Universidade de São Paulo, esvaziou um prédio inteiro para criar 900 camas para receber exclusivamente pacientes com Covid-19, a doença provocada pelo novo Coronavírus.

A operação de esvaziamento e reequipamento terminou este domingo, e a partir desta semana o hospital já começará a receber pacientes atingidos de forma severa pelo vírus.

Eloísa Bonfá, diretora clínica do Hospital das Clínicas, que ao todo tem oito grandes edifícios nas regiões da Avenida Paulista e o bairro de Cerqueira César, zonas central e oeste da cidade de São Paulo, adiantou que mais de 400 dos 2200 pacientes internados com as mais diversas enfermidades tiveram de ser transferidos do prédio conhecido como Instituto Central, onde vai funcionar o hospital exclusivo para Coronavírus.

Depois de os pacientes retirados terem sido instalados em outras unidades, como o Instituto do Coração, Instituto do Cancro e Instituto de Ortopedia e Traumatologia, explicou, todo o edifício do Instituto Central foi higienizado, adaptado e equipado para receber os novos enfermos.

Segundo Eloísa, dos 900 camas agora criadas, 200 são de UTI, Unidade de Tratamento Intensivo, destinados a pacientes com quadros graves da Covid-19. Os outros 700 camas são destinadas a pacientes com quadros moderados da doença, não estando previsto internar naquele edifício pacientes com sintomas leves.

Ainda de acordo com a diretora clínica do Hospital das Clínicas, o maior complexo hospitalar público da América Latina, se todas as doações de equipamentos já prometidas se concretizarem, em poucos dias será possível criar ainda mais 100 camasde UTI na unidade. Dos 20 mil profissionais que trabalham diretamente no Hospital das Clínicas, seis mil ficarão exclusivamente dedicados ao combate às afeções provocadas pelo Coronavírus.

Entretanto, em outras duas ações de criação de camas para receber pacientes com Covid-19, ficam prontos até final desta semana dois hospitais de campanha erguidos pela edilidade de São Paulo.

Um foi criado no relvado do famoso Estádio do Pacaembu, também na zona oeste da capital paulista, com 200 camas, e o outro está a ser ultimado no Complexo do Anhembi, centro de feiras e exposições da autarquia localizado na zona norte da cidade e onde também funciona o Sambódromo, com capacidade para outras 1800 camas, em ambos os casos para receberem pacientes cujo quadro de saúde não inspira cuidados especiais mas precisam de ser internados.
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