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Correio da Manhã

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Identificado autor da morte de Olof Palme

Homicídio do ex-primeiro ministro foi investigado durante 34 anos e o processo foi agora encerrado pelas autoridades.
Maria Vaz 11 de Junho de 2020 às 10:19
Olof Palme tinha 59 anos quando foi assassinado
Stig Engström mentiu sobre os seus passos depois do crime
Olof Palme tinha 59 anos quando foi assassinado
Stig Engström mentiu sobre os seus passos depois do crime
Olof Palme tinha 59 anos quando foi assassinado
Stig Engström mentiu sobre os seus passos depois do crime
Depois de 34 anos de investigação, o procurador-geral da Suécia, Krister Petersson, identificou esta quarta-feira o assassino do antigo primeiro-ministro, Olof Palme, dando assim o caso por terminado. As autoridades decidiram acusar Stig Engström do homicídio, um designer gráfico que trabalhava numa seguradora, e que se suicidou há 20 anos.

Apesar de Stig Engström ter sido apontado logo como testemunha do assassinato, começou por não ser considerado um suspeito. No entanto, uma nova investigação descobriu que tinha treino para usar armas, pertencia a um clube de tiro e que tinha sido militar. Veio ainda a saber-se que mentiu sobre os seus passos depois do crime.

"Fomos o mais longe que conseguimos com esta investigação", afirmou Petersson durante a conferência de imprensa em que identificou o assassino. "Uma vez que o culpado está morto, não posso apresentar queixa contra ele e vamos suspender a investigação", acrescentou o procurador-geral.

O antigo primeiro-ministro Olof Palme tinha 59 anos quando foi morto a tiro pelas costas, a 28 de fevereiro de 1986, no centro de Estocolmo, quando voltava do cinema para casa, na companhia da mulher e do filho. O homicídio chegou a ter um culpado e vários anos após o assassinato de Palme, Christer Pettersson, que já tinha cumprido uma pena de prisão por homicídio, foi detido e condenado a prisão perpétua. Mas em 1989 foi libertado, depois de não terem sido encontradas evidências suficientes.

Segundo o principal responsável pela investigação, Hans Melander, estiveram envolvidas no processo várias organizações e forças policiais, incluindo o FBI. Depois de mais de 30 anos, foram acumulados mais de 250 metros de ficheiros e ouvidas mais de dez mil pessoas, sendo que mais de 130 pessoas confessaram a autoria do crime.

PM sueco espera que "ferida possa agora cicatrizar"
O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, revelou esta quarta-feira que espera que os suecos consigam ultrapassar, finalmente, o trauma que abalou o país em 1986. "A minha sincera esperança é que esta ferida possa agora cicatrizar", afirmou Löfven numa conferência de imprensa, depois das autoridades terem encerrado o caso, apontando para Stig Engström. O chefe do governo sueco disse ainda que esta conclusão do longo processo "é o mais próximo possível da verdade".

"Fiasco policial" carregado de falhas e contradições
O caso chegou a ser apelidado de "fiasco policial" e houve motivos de sobra para isso. A falta de provas foi uma constante e o local do crime não foi bem isolado. Várias testemunhas deixaram a zona sem serem interrogadas e uma das balas chegou mesmo a ser encontrada por um transeunte. Mesmo quando já havia um suspeito condenado, a polícia não foi capaz de encontrar a arma do crime.

SAIBA MAIS
1969
foi o ano em que Palme assumiu o cargo de primeiro-ministro da Suécia pela primeira vez: o seu primeiro mandato durou até 1976, tendo sido reeleito em 1982 e ficado no cargo até 1986, ano em que foi assassinado.

Personalidade mediática
Olof Palme pertencia ao Partido Operário Social-Democrata sueco e ficou conhecido pelas suas políticas progressistas, sendo-lhe reconhecido o papel de fundador de uma sociedade preocupada com a igualdade de género. Era ainda um grande opositor da energia nuclear.
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