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Ignaz Semmelweis: A história do homem que nos ensinou a lavar as mãos e morreu num manicómio

Prática de lavar as mãos para protegermos a nossa saúde surgiu em meados do século XIX, graças a um médico que nunca conseguiu que as suas ideias fossem aceites pelos pares.
SÁBADO 21 de Março de 2020 às 20:46
Estamos a travar uma guerra contra o coronavírus, e uma das nossas principais armas é algo tão simples como lavar as mãos com água e sabão. Há cerca de 150 anos, o homem que primeiro notou que lavar as mãos salvava vidas morreu num manicómio. Chamava-se Ignaz Semmelweis. 

Este sábado, a Google homenageou-o com um Doodle, o desenho que surge na homepage do motor de busca. Semmelweis era húngaro e nasceu em 1818, em Budapeste. Decidiu trocar Direito por Medicina, tendo-se licenciado em 1844. Dois anos depois, especializou-se em Obstetrícia e foi trabalhar para o Hospital Geral de Viena, Áustria. 

No hospital, morriam centenas de mulheres por infeção puerperal - na altura, pensava ser-se uma febre. Esta doença surgia nas mães e recém-nascidos e era capaz de matar dias depois do parto. Intrigado, Semmelweis foi testando várias hipóteses para perceber a origem da doença. Por exemplo, impediu o padre que visitava as mulheres doentes de ver também as saudáveis. Mas as mortes não diminuíram. 

Só quando um dos seus colegas, Jacob Kolletschka, morreu em 1847 com algo semelhante à chamada febre puerperal é que Semmelweis percebeu melhor o que se passava. Kolletschka morreu depois de se cortar sem querer com o bisturi de um estudante que realizava uma autópsia. Semmelweis percebeu que entre o colega e as mulheres vitimadas pela febre existia algo em comum. 

As mulheres que morriam eram acompanhadas por médicos e estudantes que acabavam o seu trabalho na sala de autópsias e faziam partos, de seguida. Semmelweis concluiu que, nas mãos dos clínicos, se encontravam substâncias dos cadáveres que eram transmitidas às mulheres, a "matéria cadavérica". A sua hipótese ganhou mais fôlego ao comparar a mortalidade entre as mulheres vistas por médicos, e as seguidas por parteiras. Na sala destas últimas, morria menos gente. Afinal, as parteiras não contactavam com os cadáveres. 

Então, em 1847, Semmelweis convenceu as pessoas a lavarem as mãos. Usou até uma solução de cloreto de cálcio, ordenando aos médicos passar água e sabão nos dedos a seguir. As mortes caíram mas houve resistência às ideias do médico húngaro. Os seus colegas e estudantes não gostaram da ideia de as suas mãos provocarem a morte das pacientes. Ao longo da sua vida, Semmelweis não teve grande sucesso em provar que estava certo.

Em 1849, Semmelweis sairia do hospital de Viena. Anos depois, caiu em depressão e acabou por ser internado num manicómio pelos seus colegas, onde morreu a 13 de agosto de 1865. Tinha 47 anos. Morreu devido a um ferimento que contraiu na mão e que infetou.

As suas ideias seriam seguidas mais tarde por Louis Pasteur, que se dedicou ao combate às infeções, e por Joseph Lister, que aplicou as técnicas de desinfeção na cirurgia. Em Budapeste, existe uma estátua de Semmelweis. Aos seus pés, está a escultura de uma mulher que amamenta um bebé e olha para cima.
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