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Investigadores detetam através do satélite CHEOPS um dos exoplanetas mais extremos

Estrela-mãe deste exoplaneta é uma "estrela azul", sendo maior e quase dois mil graus mais quente que o Sol.
Lusa 28 de Setembro de 2020 às 17:29
Investigadores detetam através do satélite CHEOPS um dos exoplanetas mais extremos
Investigadores detetam através do satélite CHEOPS um dos exoplanetas mais extremos FOTO: CHEOPS
Uma equipa internacional, à qual pertencem investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) detetou, através do satélite CHEOPS, um dos mais extremos exoplanetas "conhecidos até hoje" e a sua "peculiar" estrela-mãe, foi esta segunda-feira anunciado.

Em comunicado, o IA adianta hoje que um dos "primeiros resultados" obtidos com o telescópio espacial CHEOPS, da Agência Espacial Europeia (ESA) foi a deteção do WASP-189 b, "um dos mais extremos exoplanetas conhecidos até hoje".

"O WASP-189 b está 20 vezes mais próximo da sua estrela do que a Terra está do Sol, completando uma órbita nuns estonteantes 2,7 dias, sendo categorizado como um Júpiter quente [tipo de exoplaneta com massa semelhante à de Júpiter, mas que orbita muito próximo da sua estrela]", detalha o instituto português.

Os resultados do estudo, publicado hoje na revista científica Astronomy & Astrophysics, permitiram aos investigadores fazer uma "caracterização" mais precisa deste exoplaneta, bem como da sua estrela-mãe.

Citado no comunicado, Olivier Demangeon, investigador do IA e da Universidade do Porto, explica que a "enorme precisão" do telescópio espacial permitiu "medir a luz emitida pelo lado diurno" do WASP-189 b, bem como obter dados sobre as condições da atmosfera deste "planeta tão exótico".

"A sua temperatura de cerca de 3.160ºC torna-o tão quente como uma estrela de pequena massa", observa o investigador que, juntamente com Susana Barros, coordena dois dos seis programas científicos da missão.

Por sua vez, a estrela-mãe deste exoplaneta é uma "estrela azul", sendo maior e quase dois mil graus mais quente que o Sol e com uma particularidade "roda tão depressa que é deformada", explica Susana Barros.

"A precisão inédita dos resultados revelou que a estrela roda tão depressa que é deformada, sendo alongada no equador e achatada nos polos. Isto leva a que os polos da estrela sejam mais quentes e brilhantes do que o equador", esclarece a investigadora.

Tendo por base a observação de trânsitos [medição da diminuição da luz de uma estrela provocada pela passagem de um exoplaneta à sua frente], os dados do satélite CHEOPS permitiram concluir que o planeta "terá 1,6 vezes o diâmetro de Júpiter" e que a sua órbita, em relação à rotação da estrela, é "bastante inclinada".

"Isto sugere que o planeta se terá formado mais longe da estrela, tendo mais tarde sofrido distúrbios gravitacionais de outros planetas ou até de uma estrela de passagem, que lhe inclinaram a órbita e o empurraram para muito perto da estrela, onde se encontra atualmente", acrescenta o IA.

O satélite CHEOPS, lançado em dezembro de 2019, foi desenhado para, através de medição com "extrema precisão", observar estrelas próximas à volta das quais se sabe que existem exoplanetas.

"Nos próximos anos espera-se que o CHEOPS observe centenas de exoplanetas conhecidos, expandindo ainda mais o trabalho que começou com o WASP-189 b. Irá também detetar novos exoplanetas e até exoluas, assim como investigar a composição interna e as atmosferas de exoplanetas", afirma o IA.

 

SPYC // MSP

Lusa/Fim.

 

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