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Correio da Manhã

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Itália desconfina devagar e comerciantes voltam a ter esperança no futuro após ano marcado pela Covid-19

CM falou com uma portuguesa, que há trinta anos é dona de um restaurante na zona do Vaticano.
Secundino Cunha 25 de Fevereiro de 2021 às 19:21
Padua, Itália, 7 de fevereiro de 2021
Padua, Itália, 7 de fevereiro de 2021 FOTO: Getty Images

O país que a Covid-19 utilizou como porta de entrada na Europa e cujas primeiras mortes e funerais de vítimas da pandemia impressionaram o mundo, está a reabrir a economia e a tentar regressar à normalidade.

Para já, ainda muito lentamente, ou "piano, piano", como por cá se diz, porque, ao virar da esquina e sem que nada o faça prever, surge mais um foco e soam todas as campainhas.

"Isto não é brincadeira nenhuma e, apesar de parecer que as coisas estão a caminhar no bom sentido, de um momento para o outro, tudo muda", diz Fátima Afonso, portuguesa, natural de Rio Caldo, Terras de Bouro, e que há cerca de trinta anos gere, com o marido, o restaurante "Tre Pupazzi", na via Borgo Pio, paredes meias com a cidade do Vaticano.

Esta comerciante, que se sente pelo menos "tão romana como portuguesa", diz ter "muita esperança" num futuro risonho, que é como quem diz, no fim da pandemia, mas não tem dúvidas de que "vai demorar muito tempo".

"É certo que já há vacina, que com a primavera e o verão as infeções devem baixar, mas, depois deste ano tão negro, sou cada vez mais cautelosa. Temos de esperar para ver", assegura Fátima Afonso, lembrando que este ano de pandemia, de fevereiro de 2020 até agora, foi um período "extremamente complicado e de prejuízos imensos".

"Nós tivemos uma quebra de faturação de 80 por cento, o que quer dizer que tivemos grandes prejuízos, já que 20 por cento está longe de dar para as despesas", explica a comerciante. E quanto a apoios do Governo, como é que as coisas têm funcionado em Itália?

"Pelo que vou sabendo, é como em Portugal, ou seja, poucos apoios e que exigem uma carga burocrática e condições tais que levam as pessoas a desistir. Para além disso, quando dão cinco mil de apoio, cobram dez mil de impostos no mês seguinte", responde Fátima Afonso que, apesar de todas as contrariedades, promete fazer todos os esforços para manter aberto o restaurante que "herdou" dos sogros.

Entretanto, em Itália houve mudanças políticas e os comerciantes têm a esperança de que Mario Draghi seja uma espécie de salvador da pátria. "Sendo ele, como se sabe, um grande economista e conhecedor da situação, quer da Itália, quer da Europa, nós esperamos que ele olhe para a economia real e perceba que só ajudando as empresas se pode superar esta crise", esclarece Fátima Afonso.

Em Itália, pelo menos na região do Lacio, onde se insere Roma, a capital do País, os cafés, restaurantes e lojas comerciais, podem estar abertas até às 18h00 e a circulação de pessoas está proibida entre as 22h00 e as 5h00 da madrugada.

Uma visita, hoje, à Praça de S. Pedro, diz bem da realidade que o mundo atravessa. O coração da Igreja Católica, que abarrotava de turistas, parece, nestes tempos, um deserto monumental.

A Covid-19 já infetou, neste país, quase três milhões de pessoas e fez perto de cem mil mortos.

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