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Jair Bolsonaro convoca população para atos contra congresso e o supremo

Gesto de presidente brasileiro foi criticado e considerado mais um sinal do aumento do radicalismo do governante.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 26 de Fevereiro de 2020 às 19:35
jair bolsonaro
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O presidente Jair Bolsonaro usou na noite desta terça-feira, em pleno dia de Carnaval, o Whatsapp para convocar simpatizantes a participarem nos atos marcados para o próximo dia 15 de Março em todo o Brasil contra o Congresso e o Supremo Tribunal e em apoio ao seu governo. O gesto de Bolsonaro foi criticado e considerado mais um sinal do aumento do radicalismo do governante.

No vídeo que Bolsonaro encaminhou por aquela rede social, com a duração de um minuto e meio e o hino nacional brasileiro como música de fundo, o narrador diz que não dá para esperar pelo futuro e que o povo deve ir às ruas agora para lutar pelo futuro que quer. As imagens mostram muitos militares, principal força do governo, e cenas da campanha presidencial de Bolsonaro, o momento em que ele levou uma facada que quase o matou num ato político em Juíz de Fora, as sucessivas idas dele a hospitais por causa disso e a posse presidencial, e o narrador afirma que só o atual chefe de Estado pode salvar o Brasil.

O vídeo não cita nominalmente outros poderes, mas convoca a população para os mesmos atos marcados por grupos extremistas de direita ligados a Bolsonaro contra o Congresso e o Supremo Tribunal, que o próprio presidente já acusou várias vezes de estarem a atrapalhar o governo que ele gostaria de fazer, anulando-lhe decisões ou proibindo-o de governar autocraticamente. Generais mais moderados e políticos de vários quadrantes avaliaram os atos marcados para Março como de elevado risco de rutura institucional, mas até entre altas figuras do governo há quem os apoie e defenda o confronto.

Dias atrás, sem saber que estava ao vivo pela Internet durante um ato público em Brasília, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, exortou Bolsonaro, a seu lado, em tom irado a enfrentar o que chamou as chantagens do Congresso. Nos bastidores, Bolsonaro tem dito estar cansado de ter de negociar com deputados e senadores cada proposta, e de ter que as adaptar às regras ditadas pelo Supremo. 

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