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Jair Bolsonaro defende fechar jornais que o criticam

Presidente do Brasil fez declarações em Santa Catarina, onde acontecem animadas férias de Carnaval e onde se tem promovido ajuntamentos.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 16 de Fevereiro de 2021 às 16:48
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Direitos Reservados

Numa nova demonstração do seu sonho autoritário, que só não foi ainda adiante porque o Congresso e o Supremo Tribunal Federal têm limitado os seus excessos, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a extinção de jornais e de sites que o criticam e ao seu governo.

Bolsonaro fez a declaração em Santa Catarina, estado no sul do Brasil onde passa animadas férias de Carnaval e onde tem promovido ajuntamentos, sempre sem máscara.

"O certo é tirar de circulação O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão (como é popularmente conhecido o jornal Estado de S. Paulo) e Antagonista (site de notícias crítico ao governo). São fábricas de fake news (notícias falsas). Agora o facebook vir bloquear a mim (...) e à população... É inacreditável que isso impere no Brasil."-Reclamou Jair Bolsonaro, referindo-se, no caso do facebook, a limitações que a plataforma lhe tem imposto devido à insistência dele em publicar mensagens classificadas como enganosas ou inverídicas.

Os três jornais que Bolsonaro defendeu que deveriam ser fechados, Globo, Estadão e Folha, são exatamente os maiores do Brasil, e possuem critérios noticiosos extremamente rigorosos e respeitados. O que o governante classifica como fake news, na verdade, são críticas publicadas nesses órgãos em relação a excessos e erros do presidente e do seu governo, nomeadamente a omissão no combate à cada vez mais grave pandemia de Coronavírus, e denúncias de corrupção contra aliados e, o que mais o deixa furioso, contra dois dos seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

Depois dessa ameaça explícita à liberdade de imprensa, no entanto, Bolsonaro moderou o tom, antevendo e prevenindo-se contra uma enxurrada de críticas dos media à declaração. Ele suavizou a afirmação dizendo que fechar os jornais era o seu desejo pessoal mas que, como grande democrata que é, como presidente não tomaria medidas nesse sentido.
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