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Jair Bolsonaro tentou dar golpe militar e fechar o Supremo Tribunal em maio

A informação foi avançada na tarde desta quarta-feira por vários órgãos da imprensa brasileira.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 5 de Agosto de 2020 às 20:48
Jair Bolsonaro
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Furioso e inconformado com as sucessivas derrotas sofridas na mais alta instância da justiça brasileira e na iminência de ser obrigado a entregar o seu próprio telemóvel ao tribunal, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, articulou em Maio passado com ministros militares dar um golpe militar e fechar o Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi avançada na tarde desta quarta-feira por vários órgãos da imprensa brasileira.

De acordo com a versão repercutida por esses veículos de imprensa, o golpe militar, que seria disfarçado de intervenção jurídico-militar em nome da estabilidade democrática para diminuir o impacto negativo no exterior, foi articulado no dia 22 de Maio numa reunião do mais alto nível do governo brasileiro. Na reunião, sempre de acordo com a imprensa brasileira, participaram inicialmente além de Jair Bolsonaro três ministros militares,  os generais Braga Neto, da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional.

Mais tarde, teriam chegado os ministros da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, da Justiça, André Mendonça, e da Advocacia-Geral (o órgão encarregado de defender os interesses do governo), José Levi. Durante horas, detalhes do golpe foram discutidos, depois de Bolsonaro ter afirmado que não iria aceitar mais interferências do STF no seu governo e que iria "intervir" no tribunal.

A ideia, de acordo com o que está a ser repercutido esta quarta-feira na imprensa brasileira, era enviar tropas para o Supremo Tribunal Federal, invadir a instituição e destituir os actuais 11 juízes, que foram nomeados ao longo de muitos anos por vários presidentes. Em seguida, seriam nomeados outros 11, todos escolhidos por Jair Bolsonaro.

Após horas de muita discussão e detalhamento, a idéia do golpe militar foi descartada, ou, ao menos, adiada, por motivos que as fontes não deixam muito claras. Ao invés de tomar o STF militarmente, o general Augusto Heleno foi encarregado de redigir e divulgar uma mensagem forte à Nação mostrando a insatisfação do governo e, supostamente, também dos militares.

Essa mensagem realmente foi divulgada, provocando um clima de forte comoção em todo o Brasil, principalmente nos meios políticos e jurídicos, pois deixava claras ameaças de intervenção militar e do fim do regime democrático se o governo continuasse a ser, na opinião de Heleno, atacado pelo Supremo Tribunal. O próprio Bolsonaro mostrou que estava disposto a tudo, gritando alto e bom som numa manifestação anti-democrática onde os manifestantes pediam uma intervenção militar e o fechamento tanto do Supremo Tribunal quanto do Congresso, que não estava disposto a aceitar mais interferências e que tomaria as medidas necessárias para poder governar sem os limites impostos pela justiça e pelo parlamento, mas até hoje essas medidas de força não foram concretizadas, talvez pela forte reacção negativa que na altura varreu o Brasil, unindo praticamente toda a sociedade na defesa da democracia.
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