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Javier Fiestras, o empresário que roubou dois milhões de máscaras em Espanha e as vendeu a Portugal

Agente imobiliário aproveitou falência de empresa sanitária para se apropriar e lucrar com os seus produtos.
Correio da Manhã 7 de Abril de 2020 às 19:37
Máscaras coronavírus
Máscaras coronavírus FOTO: Getty Images

Parece uma cena de filme mas aconteceu em Espanha em fevereiro, após o primeiro caso positivo de coronavírus ter sido confirmado em La Gomera. Vários camiões foram colocados à porta de um navio, em plena luz do dia, na área industrial del Tambre, em Santiago de Compostela. Roubaram dois milhões de máscaras no valor de cinco milhões de euros, segundo estima o governo galego, a mando do espanhol Javier Conde Fiestras.

Javier Conde Fiestras era agente imobiliário e estava encarregado de vender o armazém uma vez que a empresa que o detinha, Oxidoc, tinha falido há oito anos. 

O empresário aproveitou o material sanitário que ali se amontoava há quase uma década e decidiu usá-lo para lucrar com isso. Segundo o jornal espanhol El País, o material terá sido vendido a uma empresa no norte de Portugal. 

Dois meses após o roubo e com o mundo imerso numa crise pandémica, Conde Fiestras foi detido em sua casa, na Galiza, onde se mantinha protegido do vírus. 

Segundo as autoridades espanholas, Conde "estava plenamente consciente" de que poderia ganhar muito dinheiro com a exploração daqueles produtos. 

A advogada do agente imobiliário espanhol conseguiu a libertação temporária do seu cliente com uma declaração em tribunal em como ele se manteria a ser investigado. 

A defesa do empresário sustenta que os dados de que as máscaras valeriam cinco milhões de euros são falsos. Javier afirma que todas as mercadorias armazenadas no armazém foram avaliadas em cerca de 400 mil euros e garante que este era o valor estabelecido pelo administrador de insolvência da empresa. No entanto, rejeita fornecer documentação que comprove isso mesmo. 

A advogada de Javier alega ainda que a Conde Fiestras apenas recebeu uma parte do lucro, cujo valor não chega a 100 mil euros, e que os produtos eram principalmente produtos ortopédicos. "Apenas 10%" eram máscaras", defende a advogada do empresário. 

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