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Juíza dos EUA autoriza missão polémica para resgatar telégrafo sem fios do Titanic

Juíza do tribunal federal de Norfolk, no Estado da Virgínia, aprovou segunda-feira a expedição organizada pela empresa RMS Titanic Inc.
Lusa 19 de Maio de 2020 às 21:10
Novas imagens do navio Titanic mostram forte deterioração da embarcação
Novas imagens do navio Titanic mostram forte deterioração da embarcação FOTO: Facebook/Atlantic Productions
Uma juíza de um tribunal norte-americano autorizou uma empresa a recuperar o telégrafo que se encontra no Titanic, transatlântico que se afundou na viagem inaugural, em 1912, permitindo, pela primeira vez, o corte de parte da estrutura do navio.

Segundo a imprensa norte-americana de hoje, a juíza do tribunal federal de Norfolk, no Estado da Virgínia, aprovou segunda-feira a expedição organizada pela empresa RMS Titanic Inc, que considerou a iniciativa "uma oportunidade única para recuperar um artefacto que contribuirá para o legado deixado pela indelével perda" do navio.

A decisão de Rebeca Beach Smith, juíza especialista em Direito do Mar e que preside o tribunal encarregado de gerir os assuntos relacionados com o Titanic, vai, porém, contra a decisão aprovada pelo mesmo tribunal, em 2000, quando ficou decidido que não se podia cortar ou subtrair nenhuma parte do navio.

Em 2000, nota a imprensa local, Rebeca Beach Smith ainda não estava nesse tribunal.

Apesar da nova decisão, a realização da expedição não está assegurada, uma vez que está ainda por definir o financiamento do projeto, o que poderá antever-se difícil face à atual pandemia de covid-19.

Se a empresa conseguir obter o necessário financiamento, ainda por definir, a RMS Titanic Inc poderá começar a operação já no próximo verão, com a utilização de tecnologia de ponta para retirar o telégrafo, sem fios, um dos primeiros a ser fabricado pela Marconi.

No entanto, a falta de financiamento pode não ser o único travão ao projeto, uma vez que, segundo a imprensa local, a Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera (NOAA) dos Estados Unidos argumentou, perante a juíza, que o Titanic deve ser respeitado, pois é o local onde estão sepultadas as cerca de 1.500 pessoas que morreram no naufrágio.

O telégrafo sem fios do Titanic teve um papel de protagonismo no naufrágio, pois foi através dele que a tripulação do navio recebeu os alertas sobre a presença de icebergues, avisos que foram ignorados, e que os técnicos de comunicações, mais tarde, enviaram pedidos de socorro.

O Titanic, considerado o paquete mais luxuoso à época, zarpou a 10 de abril de 1912 de Southampton (sul de Inglaterra) com o objetivo de cruzar o oceano Atlântico até Nova Iorque, naquela que era a viagem inaugural.

Após fazer escala em França e na Irlanda, o Titanic colidiu com um icebergue cinco dias depois, tendo-se afundado em duas horas e 42 minutos a sul da Terra Nova (Canadá), arrastando consigo mais de 1.500 passageiros e tripulantes.

Apenas 705 passageiros sobreviveram à tragédia.

Os destroços do navio foram encontrados em setembro de 1985, a 3.800 metros de profundidade, a 600 quilómetros da Terra Nova.

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