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Líder do FMI diz que EUA e China ainda têm muito a fazer na frente comercial

Kristalina Georgieva afirma que o acordo bilateral assinado é um passo importante.
Lusa 17 de Janeiro de 2020 às 17:32
Kristalina Georgieva FMI
Kristalina Georgieva
Kristalina Georgieva
Kristalina Georgieva FMI
Kristalina Georgieva
Kristalina Georgieva
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Kristalina Georgieva
Kristalina Georgieva
Os Estados Unidos e a China ainda têm muito a fazer para resolver de forma consistente os diferendos comerciais, mas o acordo bilateral assinado é um passo importante, afirmou esta sexta-feira a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Esta semana foi anunciado um acordo importante mas ainda há muito a fazer para tratar as fraturas existentes entre as duas principais potências económicas", afirmou Kristalina Georgieva, num discurso em Washington.

Para Georgieva, "é todo o sistema comercial mundial que precisa de ser bastante melhorado".

"No início desta nova década", o principal problema continua a ser "a incerteza crescente" relativa à pacificação da tensão geopolítica e ao triunfo da paz, com uma trégua comercial que permita uma paz duradoura e uma reforma do comércio, afirmou.

Georgieva fez também alusão à incerteza sobre "se as políticas públicas podem resolver as frustrações que levam ao descontentamento em vários países".

Se a incerteza prejudica a confiança, o investimento e o crescimento, o que preocupa milhões de pessoas todos os dias é a incerteza sobre a sua capacidade de pagar as contas no fim do mês, sobre a saúde e o bem-estar das suas famílias, "o medo constante de serem deixadas para trás", observou.

Neste discurso intitulado "O setor financeiro dos anos 2020: construir um sistema mais inclusivo durante a nova década", a diretora-geral do FMI assinalou que as desigualdades de rendimentos entre países diminuíram bastante nos últimos 20 anos, com o desenvolvimento de importantes países emergentes na Ásia.

Mas, ao mesmo tempo, as desigualdades aumentaram em muitos países, como no Reino Unido, onde os 10% mais ricos têm uma riqueza quase equivalente à dos 50% mais pobres.

"As desigualdades excessivas travam o crescimento (...) e corroem a confiança na sociedade e nas instituições", alimentando o populismo, apontou Georgieva.

"Para corrigir as desigualdades, vários governos apoiam-se em medidas orçamentais, que são instrumentos essenciais", afirmou, acrescentando que é necessário também não negligenciar o setor financeiro.

Num novo estudo apresentado esta sexta-feira, o FMI avança que este setor oferece novas perspetivas para a próxima década.

Na China e na Índia, por exemplo, o desenvolvimento contínuo do setor financeiro durante a década de 1990 "traduziu-se em grandes progressos económicos na primeira década de 2000, permitindo a mais de mil milhões de pessoas saírem da pobreza".

No início, são os pobres que beneficiam da expansão dos circuitos financeiros, mas, a prazo, a dimensão e a complexidade crescentes do setor acabam por beneficiar sobretudo os ricos.

A estabilidade financeira "continuará a ser um desafio na década que agora se inicia", disse Georgieva.

Nos próximos anos, o setor financeiro terá de prevenir as crises "clássicas" e gerir as novas, algumas das quais ligadas às alterações climáticas.

"Estas conclusões devem alertar-nos e exortar-nos à ação" para não se repetirem os erros do passado, defendeu Georgieva.

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