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Marcelo fala do encontro com Bolsonaro como "reunião entre irmãos"

Presidente da República manteve reunião “muito boa” com o homólogo brasileiro e realçou “empatia” entre os dois países.
Débora Carvalho 3 de Janeiro de 2019 às 01:30
Marcelo Rebelo de Sousa com Jaír Bolsonaro em Brasília
Marcelo Rebelo de Sousa com Jaír Bolsonaro em Brasília
Sérgio Moro toma posse como ministro da Justiça
Marcelo Rebelo de Sousa com Jaír Bolsonaro em Brasília
Marcelo Rebelo de Sousa com Jaír Bolsonaro em Brasília
Sérgio Moro toma posse como ministro da Justiça
Marcelo Rebelo de Sousa com Jaír Bolsonaro em Brasília
Marcelo Rebelo de Sousa com Jaír Bolsonaro em Brasília
Sérgio Moro toma posse como ministro da Justiça

No primeiro dia como presidente da República e menos de 24 horas depois da tomada de posse, Jair Bolsonaro teve ontem um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio do Planalto, em Brasília. "Como disse o presidente Bolsonaro, foi uma reunião entre irmãos, e entre irmãos o que há a dizer diz-se rápido, como se diz em família", afirmou o Presidente português.


Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou ainda o "tom fraternal" do encontro, bem como a "empatia" entre os dois países. "A reunião foi muito boa, foi formalmente muito boa, foi substancialmente muito boa", referiu.

Para já, e por motivos de agenda, não está prevista nenhuma visita oficial de Jair Bolsonaro a Portugal. Mas a deslocação poderá acontecer em 2020. "O calendário do presidente Bolsonaro é muito ocupado" e, ao mesmo tempo, "há um calendário muito ocupado em Portugal durante boa parte deste ano". Por isso, adiantou, "ficaram os chanceleres [ministros dos Negócios Estrangeiros] de ajustar entre o final de 2019, mas provavelmente princípio de 2020, uma eventual ida do presidente Bolsonaro a Portugal".

Marcelo sai de Brasília "muito contente" pela forma como foi recebido na capital brasileira. Na tomada de posse, o chefe de Estado português foi o terceiro a cumprimentar Bolsonaro e, no dia seguinte, pôs as relações entre os dois países em dia. Falaram durante quinze minutos. Isto poderá significar uma nova era nas relações entre os países irmãos.

Acaba com a impunidade
 O ex-juiz Sérgio Moro prometeu ontem, ao tomar posse como ministro da Justiça e da Segurança Pública, "acabar com a impunidade e combater o crime organizado para diminuir a violência", garantindo que o Brasil "não será porto seguro de criminosos". Moro, que levou para o ministério diversos membros da Operação Lava Jato, que liderou, avançou ainda estar a ultimar um pacote de medidas contra a corrupção e a criminalidade que será apresentado muito em breve.

"Não deve haver portos seguros para criminosos e para o fruto de seus crimes. O Brasil não será um porto seguro para criminosos e jamais voltará a negar cooperação a quem a solicitar por motivos político- -partidários", frisou Moro, realçando que a criminalidade e a corrupção não se combatem apenas com investigações e repressão policial e judiciária mas também com medidas preventivas que inibam o cometimento dos crimes. E, no caso de desvio de verbas e outras formas de corrupção, lembrou que esta atinge e prejudica principalmente os mais pobres.

"O brasileiro, seja qual for a sua renda, e lembremos que o desvio de recursos públicos atinge mais fortemente os mais vulneráveis, tem o direito de viver sem o medo da violência e sem o medo de ser vítima de um crime, pelo menos nos níveis epidémicos atualmente existentes", disse Moro, anunciando que vai atuar junto do Congresso e do Supremo Tribunal para endurecer as penas dos criminosos e modernizar a legislação na sua área.D.G.S.

Presidente defende presença na posse
Marcelo considerou que Portugal "teve relevo protocolar" e "beneficiou" com a sua presença na investidura de Bolsonaro. PR foi o único líder europeu presente além do húngaro Viktor Orbán.

Recusa comentar discursos de ataque
O Presidente da República recusou comentar o teor dos discursos de Bolsonaro na posse, em que prometeu "libertar o Brasil do socialismo". "Tenho por princípio não comentar os discursos de outros chefes de Estado", afirmou.

Mobilidade e acordo UE/MERCOSUL
uA mobilidade dos cidadãos, incluindo no quadro da CPLP, e o acordo UE/Mercosul foram alguns dos temas abordados pelos dois presidentes no encontro de 15 minutos no Palácio do Planalto.

Marcelo com legendas nas TV brasileiras
Apesar de Marcelo tentar dar um ligeiro sotaque brasileiro nas declarações que fez à imprensa brasileira e portuguesa após o encontro com Bolsonaro, alguns meios de comunicação social brasileiros optaram por legendar as declarações do chefe de Estado português.

"Uma ordem internacional diferente"
O novo MNE brasileiro, Ernesto Araújo, reuniu-se ontem com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, com quem discutiu o "realinhamento" da política externa do Brasil e a criação de "uma ordem internacional diferente". Já Pompeo disse que o Brasil e os EUA perfilham os mesmos ideais democráticos e a preocupação com as ameaças que emanam da Venezuela.

PORMENORES
Medidas de 2 em 2 dias
O novo ministro das Finanças, Paulo Guedes, prometeu anunciar de dois em dois dias pelo menos uma medida de impacto económico na vida dos cidadãos e das empresas ao longo deste mês de janeiro, quando o Congresso está de férias e caberá unicamente ao governo tomar decisões.

Inteligência "derretida"
Ao tomar posse como novo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela segurança da Presidência e pelos serviços secretos do Brasil, o general Augusto Heleno disse que vai ter um árduo trabalho para revitalizar os serviços de inteligência brasileiros, que foram "derretidos" nos governos de Dilma Rousseff.

Contra venda de armas
Uma sondagem Datafolha mostrou que 61% dos brasileiros são contra a flexibilização das regras para comprar armas, uma das medidas que Jair Bolsonaro prometeu implementar já nos próximos dias.

Agricultura vai mandar nas terras indígenas
O presidente Bolsonaro confirmou esta quarta-feira que as questões relacionadas com a demarcação de terras indígenas ficarão sob a tutela do Ministério da Agricultura, numa decisão que provocou a revolta dos ambientalistas e que constitui uma vitória para quem defende a expansão do agronegócio em terras protegidas. "É como pôr o lobo a tomar conta do galinheiro", acusam.






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