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Medicamento experimental ajudou Donald Trump a recuperar da Covid-19

Presidente usa o seu exemplo para dizer que os americanos “não devem ter medo” do vírus, apesar de ter beneficiado de um tratamento de exceção.
Ricardo Ramos 7 de Outubro de 2020 às 01:30
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Presidente usa o seu exemplo para dizer que os americanos “não devem ter medo” do vírus, apesar de ter beneficiado de um tratamento de exceção.
Donald Trump está a ser criticado por afirmar, no seu regresso à Casa Branca após ter alta do Hospital Walter Reed, na segunda-feira, que os americanos “não devem ter medo” do novo coroanavírus e devem “fazer a sua vida”, esquecendo-se que a esmagadora maioria da população não tem acesso aos tratamentos de alta qualidade a que foi submetido, incluindo o recurso a um medicamento experimental que ainda não foi aprovado pela autoridade farmacêutica.

Além de ter sido tratado com o antiviral remdesivir, que ajuda a reduzir o tempo de recuperação, e com o esteroide dexometasona, normalmente usado para tratar os casos mais graves de doentes com Covid-19, Trump recebeu ainda uma terapia experimental de anticorpos desenvolvida pela farmacêutica Regeneron, que mostrou resultados promissores num primeiro estudo com 275 pacientes. Este tratamento ainda nem sequer recebeu uma autorização de emergência da Food and Drug Administration, tendo sido disponibilizado após um pedido especial dos médicos que assistem Trump. “Provavelmente, Trump foi o único paciente do Mundo que recebeu estes três medicamentos”, disse a epidemiologista Seema Yasmin à CNN.

Trump recebeu ainda cuidados médicos de topo que não estão ao alcance da esmagadora maioria dos americanos e está a ser acompanhado em permanência pela equipa médica da Casa Branca, que esta terça-feira garantiu que o estado do presidente “é muito bom”. “Passou uma noite tranquila em casa e não apresenta quaisquer sintomas. Os sinais vitais e os exames físicos continuam estáveis e o nível de oxigénio permanece nos 95-96%”, afirmou em comunicado o médico do presidente, Sean Conley, que tem sido criticado pelas declarações contraditórias sobre o estado de saúde de Trump. 

PORMENORES
Mais dois infetados
Mais dois funcionários da Casa Branca testaram esta terça-feira positivo ao novo coronavírus, fazendo subir para 16 o número de pessoas próximas de Trump que estão infetadas.

Precauções reforçadas
A Casa Branca anunciou que vai tomar mais precauções para proteger os funcionários que estão mais próximos de Trump.

Moeda celebra "vitória"
A loja oficial da Casa Branca na Internet já tem à venda uma moeda comemorativa que celebra a "vitória" do presidente contra o Covid-19.

Acrílico protege ‘vices’ no debate desta noite
O vice-presidente Mike Pence e a democrata Kamala Harris vão estar separados por uma barreira de acrílico no debate desta noite em Salt Lake City. As medidas de proteção foram reforçadas e os candidatos vão estar a uma distância de quase 4 metros.

10% da população mundial pode já ter sido infetada pelo vírus
A Organização Mundial da Saúde admitiu que cerca de 10% da população mundial, ou seja, uma em cada 10 pessoas, pode já ter contraído o novo coronavírus. "As nossas melhores estimativas dizem-nos que cerca de 10% da população global pode já ter sido infetada por este vírus", afirmou o especialista em Emergências de Saúde da OMS, Mike Ryan.

Perto de 36 milhões de pessoas já testaram positivo para a Covid-19 em todo o mundo, mas o número real de infeções pode ser bastante superior, já que muitos casos assintomáticos terão passado despercebidos.

"Embora todos os países tenham sido afetados pelo vírus é necessário lembrar que se trata de uma pandemia desigual: 10 países são responsáveis por 70% de todos os casos e mortes registados, e apenas três países são responsáveis por metade", disse ainda Mike Ryan. Quanto às dificuldades face à contenção dos novos surtos que estão a surgir na maioria dos países, o responsável da OMS foi claro: "Vem aí um período difícil".
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