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Médico chinês denunciou surto de coronavírus em dezembro. Foi silenciado e agora está infetado

Li Wenliang comentou com os amigos o que se passava no hospital onde trabalhava. Foi detido, acusado de espalhar rumores.
Correio da Manhã 4 de Fevereiro de 2020 às 18:22
Li Wenliang
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Li Wenliang, médico chinês, tentou alertar os amigos da possível existência de um novo surto viral em Wuhan. O profissional de saúde já se referia, a 30 de dezembro, ao coronavírus. 

De acordo com a BBC, foi nesse dia que Wenliang escreveu num grupo que tem com alguns dos seus ex-colegas médicos no WeChat - rede social chinesa - que tinham dado entrada sete pacientes no hospital onde trabalha, em Wuhan. As sete pessoas deram entrada na unidade hospitalar com uma doença do tipo SARS, Síndrome Respiratória Aguda Grave, e tiveram de ficar em quarentena. O que os pacientes também tinham em comum era o facto de virem todos de um mercado de peixe e marisco.

Com o intuito de alertar os amigos, o médico oftalmologista de 34 anos pediu-lhes que tivessem cuidado e revelou ainda que, de acordo com as análises que tinha visto, o vírus das sete pessoas era um coranavírus.

Algumas horas depois de ter sido dado o alerta pelo médico, começaram a circular nas redes sociais as mensagens que o homem tinha partilhado. Wenliang acabou por ser detido em janeiro, como outros sete médicos, pela polícia de Wuhan, acusado de espalhar remores. Foi nesta altura que o médico foi aconselhado a manter o silêncio sobre o caso.

Li Wenliang encontra-se atualmente internado nos cuidados intensivos num hospital, em Hubei, tendo confirmado no sábado que contraiu o vírus. O diagnóstico criou uma onda de indignação na China, com muitas críticas à censura estatal em torno da doença e à demora inicial em avisar o público.

Recorde que as autoridades chinesas deram o vírus como identificado no dia 7 de janeiro e só decretaram o isolamento total de Wuhan a 23 de janeiro.

OMS já declarou uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional por causa do surto do novo coronavírus (2019-nCoV) que já matou mais de 400 pessoas e infetou mais de vinte mil.

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