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Correio da Manhã

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O misterioso aparecimento de um menino esquartejado nas margens do Rio Tâmisa

Criança de raça negra terá sido alvo de um ritual infanticida. Dezoito anos depois, o caso continua por resolver.
Catarina Figueiredo 22 de Agosto de 2019 às 10:44
Ponte de Southwark sob o Rio Tâmisa, em Londres
Ponte de Southwark sob o Rio Tâmisa, em Londres
Ponte de Southwark sob o Rio Tâmisa, em Londres
Ponte de Southwark sob o Rio Tâmisa, em Londres
Ponte de Southwark sob o Rio Tâmisa, em Londres
Ponte de Southwark sob o Rio Tâmisa, em Londres
O calendário datava o dia 21 de setembro de 2001. O dia amanhecia em Londres quando um transeunte reparou numa peça de roupa cor de laranja que boiava junto à margem sul do Rio Tâmisa. O homem ficou horrorizado ao perceber que se tratava de um corpo mutilado que flutuava sob a ponte londrina de Southwark.

A Polícia Metropolitana de Londres procedeu ao resgate do cadáver, que pertencia a um menino de raça negra, entre os quatro e os sete anos de idade. O corpo estava esquartejado, sem membros e sem cabeça.

A autópsia feita ao corpo concluiu que a vítima continha extratos herbáceos no estômago, o que indica que terá sido envenenada antes de ser desmembrada. 'Adam' foi o nome atribuído pelos agentes da Scotland Yard à criança, que de acordo com a única conclusão a que conseguiram chegar até hoje, terá sido submetida a um ritual de magia negra, provavelmente às mãos de uma rede de tráfico de crianças africanas na Europa.

A verdadeira identidade do menino permanece assim uma incógnita. Especialistas que analisaram o seu ADN acreditam que o menino tenha tido origem na África Ocidental, mais concretamente na Nigéria. Terá sido submetido a um ritual infanticida.

Um mistério que fez parar a cidade de Londres
Naquela altura, a história do pequeno 'Adam' ocupou as manchetes dos vários jornais britânicos e deixou a cidade de Londres em estado de alerta para o crime bárbaro. No entanto, a impossibilidade de atribuir uma identidade real à criança acabou por fazer a história cair no esquecimento.

Mas esta história macabra acabou por abrir um precedente inesperado: numa tentativa de tentar perceber a quem pertencia o cadáver, a polícia de Londres fez um levantamento das crianças desaparecidas entre julho e setembro daquele ano, na capital londrina. Dos 300 menores cujo paradeiro era desconhecido, quase todos eram de origem africana e tinham chegado ao Reino Unido com passaportes falsos ou roubados. Foi então que nasceu a suspeita de que a criança terá sido raptada por uma rede de tráfico de menores.

Localizar os assassinos desta criança, que poderiam estar a preparar-se para vitimar outras, tornou-se numa das maiores prioridades das autoridades britânicas. No verão de 2003, cerca de 20 nigerianos foram presos por suspeitas de estarem relacionados com a morte de 'Adam'. No entanto, nenhuma prova concreta conseguiu determinar que estes fossem os verdadeiros homicidas.

Dez anos depois, uma mulher da Nigéria declarou-se culpada e garantiu ter entregue o menino, que disse chamar-se Ikponmwosa, a um homem em Londres para ser utilizado num ritual. No entanto, a Scotland Yard desvalorizou este testemunho, uma vez que a suspeita se apresentava altamente medicada e que a sua versão dos factos não coincidia com a totalidade da história.

Novas pistas foram surgindo ao longo dos anos mas a polícia continua a acreditar que o caso continua por desvendar. Os restos mortais do pequeno 'Adam' foram enterrados no cemitério de Southwark, em Londres, quatro anos após o crime. Mas a lápide permanece sem nome.
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