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Correio da Manhã

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Mineração ilegal destruiu mais de 600 quilómetros de rios em terras indígenas na amazónia brasileira

Dados constam de estudo divulgado esta quarta-feira pela ONG Greenpeace.
Lusa 1 de Dezembro de 2021 às 23:53
Amazónia
Amazónia FOTO: Getty Images
A mineração ilegal destruiu nos últimos 5 anos mais de 600 quilómetros de rios em terras indígenas na amazónia brasileira, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira pela ONG Greenpeace.

A mineração ilegal no país sul-americano devastou no período 632 quilómetros de rios em territórios das comunidades indígenas Mundurukú e Sai Cinza, no estado amazónico do Pará.

"O impacto da destruição é equivalente ao que a [mineradora] Vale infringiu no Rio Doce, na tragédia de Mariana, e que impactou 663 quilómetros de rios", destacou o relatório da Greenpeace ao comparar a rutura de uma barreira de um empreendimento da mineradora Vale no Rio Doce em 2019, que deixou 270 mortos no estado brasileiro de Minas Gerais.

Até 2016, havia apenas 26,6 quilómetros de rios impactados nessas terras indígenas, ou seja, nos últimos cinco anos, houve um aumento de 2.278% na extensão de rios destruídos dentro dos territórios Munduruku e Sai Cinza. 

A ONG também destacou que durante a investigação foram descobertas 16 pistas de voo clandestinas utilizadas por mineradores ilegais.

A Greenpeace destacou que "o estudo foi complementado por um sobrevoo realizado em outubro de 2021, que identificou garimpos [locais de extração de minério] ativos e diversos equipamentos utilizados nesta prática ilegal, como motores, escavadeiras, acampamentos (...) O sobrevoo não percorreu toda a extensão das terras indígenas."

"Além dos danos ambientais e impedindo o uso dessas águas para as necessidades vitais dos povos, como a pesca, a poluição desses rios também causa enormes danos culturais aos Mundurukú", acrescentou o estudo.

Para os pesquisadores responsáveis, "o discurso do governo [liderado pelo Presidente brasileiro, Jair] Bolsonaro e o desmonte da legislação socioambiental impactaram a expansão da mineração ilegal".

O Presidente do Brasil defende as atividades mineradoras e agrícolas na amazónia e recusa-se a demarcar novas reservas indígenas, que, segundo especialistas, aumentam o desflorestamento e dos incêndios.

A Greenpeace também destacou que a expansão da exploração de ouro no Brasil vem avançando para o interior da amazónia de forma contínua.

 A abertura de novas áreas para a realização da atividade dentro desse bioma tem-se concentrado dentro de Áreas Protegidas: dos 11.111 hectares abertos na amazónia para mineração entre janeiro e setembro de 2021, 73% incidiram dentro de áreas protegidas, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Governo brasileiro. 

A organização não-governamental também destacou que os rios afetados são Marupá, Tropas, Cabitutú, Mutum e Joarí e o resultado do estudo da Greenpeace foi encaminhado como denúncia ao Ministério Público Federal brasileiro para "exigir que as autoridades tomem medidas contra esse crime".

De toda a atividade extrativa que ocorre na maior floresta tropical do planeta, a mineração ilegal, conhecida no Brasil como "garimpo", representa 67,6% e é praticada principalmente em áreas de preservação ambiental.

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