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Movimentos de Esquerda e de Direita do Brasil saem às ruas para exigir destituição de Bolsonaro

Dois lados vão manifestar-se em dias diferentes já este fim de semana.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 22 de Janeiro de 2021 às 11:07
jair bolsonaro
jair bolsonaro

Movimentos sociais e políticos brasileiros de esquerda e de direita vão às ruas do Brasil este fim de semana exigir o 'impeachment' (destituição) do presidente Jair Bolsonaro. Num raro momento de concordância em redor de um mesmo propósito, os dois lados vão no entanto manifestar-se em dias diferentes.

Este sábado, 23 de Janeiro, vão para as ruas a Frente Brasil Popular e o Movimento Brasil Sem Medo, ambos de esquerda, que em 2016 ficaram ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff no processo de 'impeachment' que acabou por tirá-la do cargo. Já o Movimento Brasil Livre e o Vem Prá Rua, que em 2015 e 2016 levaram para as ruas de todo o Brasil milhões de pessoas pedindo exatamente a destituição de Dilma e apoiaram a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, vão fazer as suas manifestações no domingo, 24 de Janeiro.

Antes disso, na noite desta sexta-feira, deverá repetir-se em várias cidades do país um "Panelaço" (protesto com panelas) convocado pelos movimentos de direita mas que deve ter igualmente a adesão dos movimentos de esquerda. Há uma semana, na passada sexta-feira, foi a vez de partidos e movimentos de esquerda terem promovido um primeiro panelaço em diversas cidades brasileiras.

A destituição de Jair Bolsonaro é uma ideia defendida hoje em dia por um vasto leque de setores políticos e da sociedade, dada a clara incapacidade do presidente para ocupar o cargo. No Congresso, já há nada menos de 61 pedidos de 'impeachment' contra Bolsonaro, mas o presidente do parlamento, Rodrigo Maia, tem recusado fazer algum deles ir em frente, justificando que tentar destituir o chefe de Estado durante a pandemia de coronavírus tornaria ainda mais difícil o combate à Covid-19.

Justificações para a destituição de Bolsonaro não faltam, desde a tomada de medidas que permitiram a milhares de cidadãos armarem-se, aos reiterados ataques a minorias, como negros, gays e indígenas, a ocupação ilegal e a desflorestação da Amazónia e do Pantanal que incentivou abertamente, os sucessivos ataques à Democracia, ameaçando fechar o Congresso e o Supremo Tribunal, o isolamento a que votou o Brasil aliando-se incondicionalmente ao agora ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afastando aliados de décadas por todo o mundo. Mas o que mais pesa neste momento é a negligência e a indiferença do presidente do país ante a tragédia provocada pela pandemia do coronavírus, que no Brasil já infetou mais de 8,5 milhões de pessoas e matou 213 mil, enquanto Bolsonaro tenta sistematicamente boicotar qualquer medida de distanciamento social decretada por governadores de estado e autarcas e recusa enviar para as regiões mais afetadas, como o estado do Amazonas, os meios para evitar que continuem a morrer tantos brasileiros.

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