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O aviso dos cientistas: quase 300 milhões de pessoas podem ter de abandonar as casas devido à subida do nível do mar

Dados constam num dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) da ONU.
Lusa 30 de Novembro de 2019 às 09:30
Resultados do estudo foram publicados na Academia Americana de Ciências
Consequência das alterações climáticas
Alterações Climáticas
Resultados do estudo foram publicados na Academia Americana de Ciências
Consequência das alterações climáticas
Alterações Climáticas
Resultados do estudo foram publicados na Academia Americana de Ciências
Consequência das alterações climáticas
Alterações Climáticas

O aviso é dos cientistas: quase 300 milhões de pessoas podem ter de abandonar as suas casas devido à subida do nível do mar, uma consequência do aumento da temperatura gerado pela emissão de gases com efeito de estufa.

O aviso consta num dos relatórios, de 2019, do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) da ONU e é um de vários que têm sido dados pelos cientistas desde a assinatura, em 12 de dezembro de 2015, em Paris, França, do acordo mundial para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono e o metano.

Em vésperas da cimeira da ONU sobre Alterações Climáticas de Madrid (COP25), que começa na segunda-feira na capital espanhola, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alertou, no seu relatório anual, para o aumento da temperatura do planeta em 3,2ºC mesmo que venham a ser cumpridos os compromissos do Acordo de Paris.

Segundo o relatório, que vai ser analisado na cimeira, a temperatura média poderá subir este século até 3,9ºC, a manter-se a atual tendência de emissões.

A COP25, que termina em 13 de dezembro, tem por base as decisões do Acordo de Paris, um tratado que rege as medidas de redução das emissões poluentes no mundo a partir de 2020.

O acordo prevê a contenção do aquecimento global abaixo dos 2ºC, preferencialmente em 1,5ºC, em 2100, comparativamente aos valores médios da era anterior à Revolução Industrial.

Não ultrapassar até ao fim do século os 1,5ºC de aumento de temperatura significa reduzir em 45% as emissões de dióxido de carbono até 2030.

A atividade humana causou já o aumento da temperatura em 1ºC. Com um aumento estimado em 0,2ºC por década, os 1,5ºC serão atingidos em 2040 se nada for feito.

Esta semana, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente pediu um esforço maior: as emissões de carbono, que estão a aumentar todos os anos, devem ser reduzidas anualmente em 7,6%, entre 2020 e 2030, para se evitar a "catástrofe climática".

Num relatório divulgado em setembro, o IPCC, que reúne a investigação feita por cientistas de diversas partes do mundo, advertiu que, mesmo contendo o aquecimento global em 2ºC acima dos valores médios da era pré-industrial, um quarto do gelo permanente acumulado em regiões como Ártico vai derreter até 2100.

O degelo provoca a subida do nível médio do mar, que pode chegar a 1,10 metros em 2100 se as emissões poluentes não forem reduzidas.

De acordo com as previsões do IPCC, 30% a 99% do território permanentemente congelado vão deixar de o ser até ao fim do século, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e metano para a atmosfera.

Gera-se o "efeito bola de neve": mais emissões, mais quente fica o planeta, mais fenómenos meteorológicos extremos acontecem, como ondas de calor, secas, tempestades, inundações. E nem é preciso esperar por 2100.

Em julho de 2018, dezenas de pessoas morreram no sul do Canadá e no leste dos Estados Unidos devido a uma onda de calor.

Passado um mês, o fenómeno chegou à Península Ibérica, tocando Portugal continental, onde muitos recordes absolutos de temperatura máxima foram batidos.

Mais recentemente, em junho e julho últimos, foi a vez de a Europa Central ser afetada por duas ondas de calor, com a França a registar pela primeira vez máximas acima dos 45ºC. Segundo a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, 1.500 pessoas morreram em resultado do calor extremo.

Secas prolongadas têm um efeito devastador sobre as culturas agrícolas e na criação de gado, com consequências para a alimentação humana, e aumentam o risco de propagação de incêndios florestais. 

O painel de peritos do IPCC advertiu este ano que muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050 devido ao aumento da frequência dos ciclones.

Um estudo da organização Climate Central, que junta cientistas e jornalistas que fazem investigação e notícias sobre alterações climáticas, apontou a Ásia como a região mais vulnerável a inundações em 2050, em particular as zonas costeiras do Bangladesh, Vietname, Indonésia, Tailândia, China e Índia (os dois últimos são dos maiores poluidores mundiais).

Segundo o estudo, publicado em outubro na revista científica Nature Communications, Portugal também não escapa à "fúria" do mar, com as zonas de Faro, Olhão, Tavira, dos estuários do Tejo e do Sado, da Figueira da Foz, Aveiro, Espinho, Esmoriz, Póvoa do Varzim, Esposende, Vila do Conde, Viana do Castelo e Caminha a serem mapeadas como territórios em risco devido à subida das águas.

Com as temperaturas mais altas, a água dos oceanos, além de subir, fica mais quente, mais ácida e com menos oxigénio, ameaçando a sobrevivência de espécies marinhas e, em consequência, os recursos pesqueiros.

Reforçando esta ameaça, as Nações Unidas estimaram que um milhão de espécies animais e vegetais que existem na Terra - de um total de oito milhões - está em perigo devido, em parte, às alterações climáticas.

Sob o lema "Tempo de agir", a COP25 vai apelar para que os países aumentem os seus compromissos de redução das emissões de gases com efeito de estufa.

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