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Correio da Manhã

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Ocupam cadeira do presidente do Senado do Brasil e impedem votação

Senadoras de oposição ao governo desencadearam uma ação de protesto nunca antes vista no país.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 11 de Julho de 2017 às 22:11
Eunício de Oliveira e Michel Temer
Eunício de Oliveira e Michel Temer FOTO: Reuters

Senadoras de oposição ao governo do presidente Michel Temer desencadearam esta terça-feira uma ação de protesto nunca antes vista no país e ocuparam a cadeira do presidente da casa, Eunício de Oliveira, na mesa da direcção do plenário, impedindo qualquer votação. A ocupação ocorreu exatamente no momento em que o Senado ia proceder à votação decisiva que provavelmente aprovaria em definitivo a proposta de reforma laboral apresentada pelo governo e contra a qual as senadoras desencadearam o ato.

Comandadas pela senadora Gleisi Hoffmann, que semana passada assumiu o cargo de nova presidente do Partido dos Trabalhadores, por indicação de Lula da Silva confirmada pela convenção da entidade, cinco senadoras ocuparam às 11 da manhã, horário local, 15 horas em Lisboa, as cinco cadeiras da mesa de onde a direção do Senado comanda as sessões, entre elas a do presidente, e declararam a sessão aberta, dando a palavra apenas a opositores.

Uma hora depois, Eunício de Oliveira tentou ocupar a cadeira de presidente na mesa, mas foi impedido pela senadora Fátima Bezerra, também do PT, que ocupava o lugar e recusou levantar-se.

Agarrando o microfone que a senadora tentava afastar dele, Oliveira, que mandou apagar todas as luzes do plenário, declarou a sessão suspensa por alguns minutos, mas sete horas depois, às 18 horas locais, 22 em Lisboa, a situação continuava igual.

Gleisi Hoffmann, Fátima Bezerra e as outras três senadoras envolvidas no protesto, Lídice da Mata, do Partido Socialista Brasileiro, Vanessa Graziotin, do Partido Comunista do Brasil e Regina Sousa, do Partido dos Trabalhadores, recusavam até essa hora qualquer proposta de acordo e mantinham-se sentadas na mesa da presidência, onde almoçaram. A essa hora, depois de várias horas no escuro, parte das luzes do plenário já tinham sido acesas, mas a reunião que votaria a proposta ainda não tinha sido reiniciada.

O principal objetivo das cinco senadoras é que o relator da reforma, senador Romero Jucá, chefe da chamada "tropa de choque" de Temer, aceite incluir na proposta ao menos uma das várias emendas sugeridas pela oposição em benefício de mulheres trabalhadoras, nomeadamente as que estejam grávidas. Mas Jucá tem sido absolutamente inflexível e não aceita nem discutir as sugestões, por ordem do próprio presidente.

É que, se uma dessas emendas ao texto de Romero Jucá for aprovada, a reforma laboral terá de voltar para a Câmara dos Deputados, onde o texto foi inicialmente aprovado, para nova análise, o que atrasará o processo e a provável aprovação. E Temer, que está a enfrentar uma investigação por corrupção no Supremo Tribunal e tem a tramitar contra si no parlamento um parecer que pode afastá-lo da presidência e levá-lo a julgamento e precisa mostrar que ainda tem força no Congresso, quer aprovar a reforma com urgência máxima, para mostrar que não está derrotado e tentar com isso ganhar algum fôlego para se manter no cargo. 
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