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Correio da Manhã

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Organizador de orgia gay com eurodeputado mostra local da festa de sexo e revela que participantes tiveram Covid-19

Jovem de 29 anos explica que "preservativos não eram permitidos". Já se sabe também que outro participante era um diplomata estónio.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 3 de Dezembro de 2020 às 14:59
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas
David mostra local onde ocorreu orgia gay com eurodeputado e diplomatas

David Manzheley, de 29 anos, foi o organizador da polémica orgia gay com 25 pessoas, ocorrida em Bruxelas, e que contou com a participação do eurodeputado József Szájer, conhecido por ser defensor da "família tradicional", casado e com um filho. O jovem deu uma entrevista onde mostrou o local onde decorreu a festa de sexo e explicou que havia algumas regras para participar. Ainda, segundo David, József Szájer não estava convidado para a orgia e apareceu com um amigo do estudante.

Ao Het Laatste Nieuws e ao Blikk, David Manzheley, estudante que está a tirar o doutoramento, contou que estas festas são comuns na comunidade gay em Bruxelas e que são organizadas através de aplicações de engate "para eventos de sexo em grupo".

"Esta festa foi pequena, normalmente organizo-as com mais de 100 pessoas, mas não durante a pandemia de Covid-19, claro. Esta foi especial", ressalva o jovem, afirmando que o convite foi feito a ‘apenas’ 10 participantes.

Dizendo desconhecer que József Szájer era eurodeputado, justifica-se: "Eu convido sempre alguns amigos para as minhas festas, que acabam por trazer amigos deles, e depois divertimo-nos juntos. Falamos um bocadinho, bebemos um copo – como num café. A única diferença é que, no entretanto, fazemos sexo uns com os outros. Não vejo qual é o problema.".

Presença de políticos é habitual: havia mais dois diplomatas na festa

Confrontado com o facto de, após a polícia invadir a festa, três dos participantes tenham imediatamente alegado imunidade diplomática, entre eles József Szájer, David desvaloriza: Vem sempre muita gente da comunidade diplomática, de diferentes países e quadrantes políticos, vindos de países onde os governos não lhes permitem ser livres".

Não era conhecida a identidade ou origem dos outros diplomatas que acabaram identificados pela polícia belga mas, entretanto, já se sabe que um deles era um diplomata da Estónia. De acordo com o Politico, o Ministério dos Negócios Estrangeiros estónio já confirmou a presença de um diplomata daquele país na orgia, descrevendo no entanto o evento como "uma festa ilegal em contexto de confinamento".

"O Ministério dos Negócios estrangeiros está ao corrente de que um diplomata estónio participou nesta festa. O diplomata em causa pede desculpas por ter violado as restrições impostas no âmbito da Covid-19", afirmou um porta-voz, esta quarta-feira.

David afirma ainda ao Onet que é habitual a presença de figuras políticas da Polónia, Ucrânia, França, Alemanha, Países baixos, Luxemburgo, Suíça e Espanha. O jovem vai mas longe e garante que mais nove políticos do partido de Szajer, o Fidesz, de extrema-direita, já participaram nas suas festas de sexo.

Convencido de que, apesar de violar as regras impostas pelo governo belga para travar a Covid-19 (estão apenas permitidas reuniões com duas pessoas no interior e quatro no exterior), não há "problema", o organizador da festa mostra o apartamento onde decorreu a orgia.

Decorações de Halloween e Dia dos Namorados criam ‘ambiente’

O apartamento no centro de Bruxelas é pequeno e pouco iluminado. Logo à entrada, e em todos os quartos da casa, há decorações nas paredes e no teto. São aranhas de plástico, caveiras com olhos que brilham, salpicos de tinta vermelha a imitar sangue, teias de aranha falsas, abóboras, morcegos e redes de cor negra. Observam-se corações vermelhos, de madeira e papel, colocados nas paredes. Uma amálgama de Halloween e Dia dos Namorados. Quase não há mobília.

Chegando à sala ‘onde a magia acontece’ (ou, neste caso, aconteceu), veem-se colchões espalhados pelo chão, muitos deles sem lençóis. Há uma estante ao canto, cestos para a roupa e duas mesas pequenas, uma delas com um grande frasco de lubrificante, e outro com álcool-gel. Afinal, ainda há medidas de segurança a seguir e foram impostas ‘regras’ pela organização.

Preservativos proibidos, testes a DSTs e todos doentes com Covid-19

Na entrevista, o estudante revela um dado curioso. Ciente das restrições impostas pela pandemia, David quis que os participantes tivessem a máxima segurança possível e, por isso, todos tiveram que apresentar um documento que provasse que já tinham estado infetados com o novo coronavírus e, por isso, com anticorpos ao vírus que causa a Covid-19.

Também, segundo o organizador, todos ao homens foram obrigados a apresentar um teste negativo a várias doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), incluindo o VIH/SIDA. Isto porque, explica o jovem "os preservativos não eram permitidos".

Organização acusa concorrência de denunciar festa à polícia. Jovem é procurado pela polícia polaca

David não poupa críticas à atuação polícia, quando entrou para travar a festa. "Eles arrombaram a porta sem sequer baterem. Não tinham qualquer papel ou mandato e foram muito mal-educados, insultaram-nos e fizeram comentários homofóbicos", acusa o estudante.

"Exigiram a nossa identificação imediatamente, mas como é que podia ser imediatamente se nós estávamos todos nus?", questiona.

Segundo o Onet, David é polaco e é procurado pela polícia do seu país de origem por crimes de extorsão. Com efeito há de facto parecenças entre o jovem e o suspeito procurado na Polónia. Ao mesmo portal, David nega ser a mesma pessoa, ainda que amigos ouvidos pelo Onet afirmem que sim.

O estudante conclui acusando os seus "concorrentes de negócio", no setor da organizaçção de eventos semelhantes às suas orgias, de terem sido os denunciantes do caso à polícia. "Tinham como objetivo atrair mais homens para as festas dele", finaliza.

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