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Padre diz em missa que Bolsonaro "não presta" e que quem votou nele devia pedir perdão

Religioso sentiu-se na obrigação de alertar os fiéis.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 6 de Julho de 2020 às 20:18
Padre
Padre FOTO: Getty Images

Um padre da cidade de Artur Nogueira, no interior do estado brasileiro de São Paulo, ganhou nos últimos dias uma inesperada e enorme fama depois das críticas que fez ao presidente Jair Bolsonaro durante a sua homilia através da internet. Na missa virtual, o padre da Igreja Matriz de Artur Nogueira, Edson Adélio Tagiaferro, afirmou que o polémico presidente brasileiro "não presta", "não vale nada", e instou os fiéis que votaram no governante em 2018 a confessarem-se e pedirem o perdão divino pelo seu pecado.

"Vocês querem que eu fale aquilo que muitos falam, que não o deixam trabalhar?"-Indagou o sacerdote, aludindo ao argumento dos apoiantes de Jair Bolsonaro para explicar o fracasso do governo dele, respondendo em seguida-"Não. Bolsonaro é que não presta, Bolsonaro não vale nada. E quem votou nele devia confessar-se, pedir perdão a Deus pelo pecado que cometeu, porque elegeu um bandido."-Disparou o pároco durante a homilia, que rapidamente chegou a todo o Brasil espalhando-se pelas redes sociais como um rastilho aceso.

Ainda estupefacto com a enorme repercussão das suas críticas, o religioso veio a público esta segunda-feira garantir que não estava a atacar o presidente por atacar nem a defender qualquer partido. Mas sentiu-se na obrigação de alertar os fiéis, e a gigantesca repercussão que as suas palavras tiveram nas redes sociais parece indicar que muitas pessoas pensam como ele.

Padre Edson acrescentou que é obrigação dele como sacerdote chamar a atenção e até denunciar os erros, as agressões e descasos de governantes para com o povo que governam. E citou como um gritante exemplo de descaso com os cidadãos, principalmente com os mais desfavorecidos, os atropelos de Jair Bolsonaro às medidas que gestores regionais e locais têm tomado para combater o Coronavírus e o facto de o presidente, apesar da gravidade da pandemia, que já matou mais de 65 mil brasileiros, manter desde 15 de Maio o Ministério da Saúde sem ministro, gerido provisoriamente por um general que não tem qualquer vivência na área.
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