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Pandemia muda cobertura jornalística da campanha presidencial dos EUA

Muitos repórteres que acompanhavam Donald Trump no Nevada "ficaram no exterior" porque o comício ia realizar-se num espaço fechado.
Lusa 17 de Setembro de 2020 às 14:34
Jornalistas
Jornalistas FOTO: Getty Images
A crise sanitária está a alterar o formato da cobertura jornalística da campanha presidencial norte-americana, obrigando as redações locais a mudarem constantemente o acompanhamento de atos políticos, noticia esta quinta-feira a Associated Press.

De acordo com a agência norte-americana, a campanha eleitoral é atualmente um "processo em mudança".

Por exemplo, muitos repórteres que acompanhavam o Presidente e candidato republicano, Donald Trump, no Nevada, no domingo, "ficaram no exterior" depois de se aperceberem de que o comício ia realizar-se num espaço fechado.

Durante vários meses, os responsáveis pelas empresas de comunicação social dos Estados Unidos não sabiam a forma como iam cobrir as campanhas do Partido Democrata e do Partido Republicano, mas, ao que tudo indica, os atos públicos começam agora a ser mais frequentes. 

"De certa forma, deu-nos uma oportunidade para reavaliarmos a forma como fazemos as coisas", afirma Peter Wallsten, editor de Política do jornal Washington Post.

Dado os resultados surpreendentes das eleições de 2016, que deram a Presidência a Donald Trump, muitas redações planearam para a campanha presidencial de 2020 mais contactos com os eleitores, especialmente em "Estados indecisos".

No entanto, as restrições nas deslocações devido às medidas contra a propagação da pandemia estão a dificultar o trabalho jornalístico.

Segundo a Associated Press, o jornal New York Times montou uma rede de jornalistas pagos à peça em Estados considerados mais importantes em termos eleitorais.

 Muitos destes profissionais são jornalistas com muita experiência e que se encontram desempregados devido à crise que afeta o setor.

O New York Times contratou três jornalistas no Wisconsin, um Estado onde se registam confrontos raciais.  

"Eu não quero estar na redação em Nova Iorque a fazer suposições sobre os votos nos subúrbios de Milwaukee ou sobre o que pensam as pessoas sobre Donald Trump ou Joe Biden", disse Patrick Healy, da editoria de Política do jornal New York Times.

Muitos dos principais repórteres da publicação eletrónica Politico vivem fora da cidade de Washington - Tim Alberta em Michigan, Holly Otterbein na Pensilvânia e Marc Caputo na Florida.

Quando uma sondagem mostrou uma força inesperada da candidatura de Donald Trump entre a "comunidade latina em Miami", o jornalista Marc Caputo associou o fenómeno à popularidade de um apresentador da rede social YouTube em castelhano e que é apoiante do presidente dos Estados Unidos, algo que uma pessoa de fora da cidade dificilmente saberia, disse Carrie Budoff Brown, editora do Politico.

Antes da pandemia de covid-19, a Associated Press diz que encorajou os repórteres que acompanham os assuntos relacionados com política nos Estados Unidos a manter-se em contacto - por telefone ou correio eletrónico - com os eleitores, tentando manter uma ligação regular. 

"Provou-se que esta estratégia não era válida" entre os jornalistas da agência, disse Juile Pace, da delegação da capital norte-americana.  

Pace diz que uma das melhores formas de abordar os eleitores era falar com as pessoas em "parques de estacionamento", o que agora é muito difícil.

Agora os jornalistas têm de usar mais o telefone. Wallsten diz que é difícil para os leitores saberem que um jornalista não saiu de Washington para fazer uma reportage sobre eleitores latinos em Michigan.

"As pessoas entram e saem (de casa) e a mensagem está a ser transmitida", disse por seu lado a presidente da CBS News, Susan Zirinsky.

"Pode perder-se a cobertura de alguns comícios ou de alguns eventos, mas não se estão a perder histórias", considera Zirinsky.

Muitas redações contrataram equipas de jornalistas que estão integradas nas comitivas dos candidatos presidenciais às eleições de novembro.

Segundo a AP, são jovens repórteres "ambiciosos" e que não se importam de acompanhar durante "longas horas, discursos repetitivos". 

Para a Associated Press fazem-se "mais histórias que não foram previstas" principalmente protestos relacionados com a justiça social ou sobre a forma como os votos vão ser contados, sobretudo da votação pelo correio. 

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