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Pandemia poderá estar a desviar atenção e fundos da crise climática, diz ONU

Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima lembrou que continuam a ocorrer eventos climáticos devastadores.
Lusa 21 de Agosto de 2020 às 20:19
Imagem ilustrativa sobre alterações climáticas
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A pandemia de covid-19, além de pôr em perigo inúmeras vidas, poderá estar também a desviar atenções e fundos destinados à crise climática, "numa altura em que são extremamente necessários", alerta a UNFCCC, agência da ONU para o clima.

A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla original, também conhecida como Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas), divulgou esta sexta-feira um relatório sobre as principais ações de 2019, no qual afirma: "Embora o combate à pandemia seja a prioridade mundial, temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para manter o impulso climático em curso".

A UNFCCC é o organismo da ONU que apoia a resposta global às alterações climáticas, trabalhando com governos, organizações e empresas para construir um mundo neutro para o clima e resistente às alterações climáticas.

No documento divulgado esta sexta-feira a UNFCCC diz que parece que 2020 está longe de ser o que tinha sido previsto e que a crise económica global, e as prioridades dos países, podem afetar profundamente o esforço climático global.

Lembrando que em 2019 aconteceram "eventos climáticos devastadores", que os níveis de dióxido de carbono continuam a subir e as calotes polares a derreter, que se atingiu o nível mais alto do mar alguma vez registado, a UNFCC sublinha que "a incapacidade de enfrentar as alterações climáticas só irá exacerbar impactos futuros", e que "a maioria dos países não está a responder a apelo de ação ambiciosa nem a preparar-se ao ritmo que a ciência indica ser necessário".

E acrescenta a entidade no documento: "Os esforços estão a ser limitados pela falta de recursos, por diferentes expectativas e compreensão da ambição, pela complexidade e pela grande variedade de interesses envolvidos".

Salientando que há uma "consciência crescente por parte da sociedade civil, especialmente da juventude", para a necessidade de ação sobre as alterações climáticas, a UNFCCC defende que os países têm de assumir compromissos mais arrojados (em diminuir emissões de gases com efeito de estufa) na próxima reunião mundial sobre o clima, a COP26, que estava prevista para este ano mas que foi adiada por um ano devido à covid-19.

"Não podemos adiar mais estes compromissos", diz a organização no relatório, incentivando a que se "acelere o ritmo" e que os próximos 10 anos sejam de ações globais em matéria de alterações climáticas.

"O mundo de hoje é 1,1 °C mais quente do que nos tempos pré-industriais. As consequências deste aquecimento são enormes, como se viu no aumento de cheias e incêndios intensos e em eventos climáticos extremos da última década", avisa a organização, lembrando que como os seres humanos também os ecossistemas sofrem com as mudanças extremas.

E a UNFCCC refere a propósito que inúmeras espécies não se vão conseguir adaptar a novas condições e que ONU estima que um milhão de espécies estão à beira da extinção devido à atividade humana.

"Temos de alterar o nosso percurso antes que seja demasiado tarde. Precisamos de fazer mudanças drásticas na forma como produzimos, consumimos e gerimos a nossa energia. Precisamos de proteger os ecossistemas para que se mantenham saudáveis e resilientes contra as pressões climáticas", diz-se no documento.

O relatório resume as principais ações da UNFCCC em áreas como a adaptação e mitigação dos efeitos das alterações climáticas, o apoio financeiro, a inovação e a tecnologia, a capacitação, ou o mercado do carbono. E dá destaque aos trabalhos e resultados da última cimeira do clima de Madrid, no ano passado, a COP25.

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