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Papa Francisco apela ao fim das divergências em mensagem de Páscoa

Francisco dedicou mensagem às vítimas da Covid-19 e advertiu para os riscos da indiferença, do egoísmo, da divisão e do esquecimento.
Isabel Jordão e Rogério Chambel 13 de Abril de 2020 às 10:03
Papa Francisco
Papa Francisco FOTO: Reuters

O Papa Francisco dedicou a sua mensagem de Páscoa, antes da bênção ‘Urbi et Orbi’, às vítimas da Covid-19 e advertiu o Mundo, e em particular a Europa, para os riscos da indiferença, do egoísmo, da divisão e do esquecimento, perante o sofrimento de populações mais desfavorecidas. 


"Este não é tempo para a indiferença, porque o Mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia", disse o Papa Francisco, acrescentando que o seu pensamento está "sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus entes queridos, por vezes sem conseguirem sequer dizer-lhes o último adeus".

Francisco falava na Basílica de São Pedro, numa intervenção transmitida para milhões de pessoas em todo o Mundo. A pandemia obrigou a alterar as celebrações pascais no Vaticano, que foram realizadas sem a presença de fiéis e sem a deslocação do Papa à varanda da Basílica, para a habitual bênção.

Para o Papa, "a União Europeia tem um desafio epocal, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o Mundo inteiro", defendendo que "não se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras".

Na sua intervenção, apelou à solidariedade para com "os pobres e quantos vivem nas periferias, os refugiados e os sem- -abrigo", pediu o abrandamento das "sanções internacionais" que impedem um apoio mais alargado e que seja permitido aos Estados "acudir às maiores necessidades, reduzindo, senão mesmo perdoando, a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres".

Não esqueceu "outras emergências que acarretam sofrimento" a populações da Ásia e África, que atravessam "graves crises humanitárias, como na região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique".

Catedral vazia de fiéis mas repleta de Cristo
O cardeal-patriarca de Lisboa disse este domingo que não estamos sozinhos nesta fase difícil da nossa vida, porque Cristo está em toda a parte, conforme lembrou durante na celebração a partir da Sé de Lisboa. "Estamos hoje numa Catedral tão vazia de presenças físicas e tão repleta de Cristo vencedor da morte", afirmou.

D. Manuel Clemente lembrou os que hoje lutam pela vida, "face à pandemia que sofremos", e os "gestos de muitíssimos, que, em todos os domínios da vida, eclesial ou pública, da saúde ao trabalho e em tantos serviços de indispensáveis, na família e na sociedade em geral, respeitam e sustentam as vidas em todo o seu arco natural"."Quando a oração redobra nas famílias, é também de Ressurreição que assim se trata, pois tudo é vida garantida quando sobe com Cristo para o pai. Quando a solidariedade de facto se demonstra, é Cristo que aí mesmo se depara", concluiu.

Compasso móvel cancelado em Gaia   
O compasso móvel que ia este domingo andar pelas ruas de Vilar de Andorinho, em Gaia, foi cancelado. Ao CM, o padre Albino Reis - que está infetado com Covid-19 - explicou que a decisão foi tomada depois de ter conhecimentos das recomendações dadas pelas autoridades de saúde e da igreja, que iam contra a iniciativa.

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